João Dhoria Vijle Lisboa
Este tema bem que pode ser inserido nos estudos de ética e deontologia. Mas que fique no que diz respeito à Educação. Fala-se da aptidão ao melindre. É aquele sentimento da chamada hipersensibilidade a qualquer referência dos defeitos ou desvios da pessoa. Porque havemos de lembrar: a perfeição e a infalibilidade só a Deus pertencem. Todavia, há pessoas que se consideram o sal da terra, o sol do pensamento, o suprassumo da intangibilidade humana. Porque essa pessoa foi assim instruída na família, criada assim, sem ensinamentos de boas relações sociais, não tive limites educativos.
O sentimento do melindre, ou noutros termos, aquela capacidade de se ressentir, de se magoar com as mínimas falhas do outro, ou verídicas referências e predicados que não agradam; essa sensação tem muito a ver com o padrão de educação recebido pelo indivíduo, advindo da família, especialmente da mãe. Esta figura tida e havida como a primeira professora de cada um. Na falta desta a pessoa que cria, cresce, engorda, engrossa, torna adulta aquela criança. Cresceu de forma torta, protegida demais e se melindrada de pequena melindrosa para sempre.
Dentro dos conselhos do estilo de convivência do politicamente correto, há um princípio que diz assim: se você quer agradar a alguém: diga virtudes e atributos positivos que essa pessoa não tem e você estará na alta admiração dessa pessoa não portadora desses valores. Exemplos comuns são os elogios: “Você é uma pessoa muito inteligente”; você está linda hoje” você teve um desempenho brilhante em tal feito”. Pronto, aí você está bem e muito admirado (a) por essa pessoa, falsamente elogiada! Porque se for fazer alguma referência super sincera, aí é melindre e pirraça na certa, cara feia, emburramento, depressão.
A chamada alta escala do melindre de certas pessoas é também estudada no tema frustração. Há essa interligação. Mais precisamente no chamado limiar de frustração. Quanto mais baixo o limiar de frustração da pessoa mais facilmente ela se torna melindrada com os atributos negativos a ela atribuídos. Alguns estudos chamam esse limiar de resiliência. Alta resiliência ou alto limiar às frustrações são termos intercambiáveis.
As causas do sentimento de melindre, estão intrinsicamente ligadas ao modelo de educação familiar do indivíduo. Em geral esse estado psicossocial acomete o filho único ou o caçula. São indicativos aquela criança, adolescente ou jovem que vai recebendo qualificativos falsos e fantasiosos. Exemplos: meu príncipe, minha princesa, meu herói, fulano ou sicrano é muito bonito ou inteligente, esse menino ou menina como o mais ou a mais inteligente da turma, da escola, que só tira nota alta. E dá-lhe elogios, atributos falsos e fantasiosos. Receita perfeita na formação de uma pessoa melindrada ou propensa às frustrações. Aqui não se trata de opinião, palpite, as Ciências que o digam!
Com todos esses falsos e fantasiosos atributos, a criança vai crescendo e tomando consciência da realidade. Que o mundo dela não é nada disto. E agora, esse jovem ou moça, está com essa sensação falsa e fantasiosa de difícil depuração, de retorno à vida normal, como é normal a vida de todos à sua volta. Mas, existem alguns e algumas que não conseguem se desmamar dessa sensação. Melindre alto, baixo limiar de frustração, infelicidade, dificuldade de adaptação, de convívio social e normalidade, depressão, psicoterapia, uso de antidepressivos, recidivas. São os chamados indivíduos-problemas, para famílias e sociedade.
Imagine aquela toupeira ou tabajara de mãe que sequer tinha padrão de conduta e comportamento para si própria. A centralidade de sua vida era estar sempre se exibindo em redes sociais, com posts, fotos e vídeos incompatíveis com sua aptidão financeira e material. Que pouco importância deu à formação das filhas nos quesitos de educação de berço, no concernente a empatia pelo outro ou outra, à generosidade, à colaboração nos quesitos basilares de uma casa onde come, bebe, se refestela e tudo mais. Mas, o melindre em alta, o limiar de frustração baixo. A qualquer momento, derrete-se a manteiga! Fui. São pessoas muito propensas à desadaptação na vida. Para elas viverem são dependentes de muitas pessoas, de ajuda moral, social e financeira.
João Dhoria Vijle Lisboa