A DESUMANIZAÇÃO NO ATENDIMENTO MÉDICO DO BRASIL BY

Se existe um setor mais desumanamente vítima da chamada burocracia e desorganização administrativa no Brasil, este setor é a saúde. E não importa se pública ou privada. Como o brasil continua na rabeira nesse quesito de administração e organização. Trata-se de uma das piores chagas na cultura, nos hábitos e expedientes de nosso país. Gestores públicos e privados deveriam aprender e copiar os excelentes exemplos, tanto aqui como em outros países e outras sociedades e culturas.

Iniciemos esta crítica e protesto quando se está no âmbito de saúde pública. Fala-se aqui nos hospitais, nas UPAS, nos CAIS e outras unidades sanitárias. E começa nossa crítica pelo estado físico desses prédios. A manutenção é precária, o estado de higiene e sanidade ambiental interna é sofrível. A tal ponto que é o local mais temível de se entrar pelo risco de contágio e aquisição da temível, mórbida e letal infecção hospitalar. Tanto que se recomenda aos acompanhantes, sempre, o emprego de EPIs, como máscaras e desinfecção de mãos, mesmo nos corredores dessas unidades. A pessoa pode entrar sadia e sair doente!

A cereja da burocracia e desorganização dessas instituições sanitárias está na burocracia para o tempo de atendimento. São expedientes retrógrados, imbecis e desumanos, quando se fala em tantos quesitos a serem fornecidos, os dados pessoais, os papeis com seus infinitos campos a serem escritos e preenchidos. E o doente, muitas vezes, ali nas cadeiras velhas e desconfortáveis, nas macas duras, nas ambulâncias, e as caras feias de atendentes e recepcionistas. Não é incomum surgirem conflitos, agressões verbais e físicas e até lesões corporais cometidas por pacientes e acompanhantes!

Quando se analisa a chamada humanização no atendimento médico, não importa se pública ou particular, se no SUS, se atendimento via convênios médicos ou o paciente pagando pelo atendimento. O que seria um atendimento revestido de atitudes de um elevado padrão ético? Deveria haver uma inversão de exigência: primeiro o socorro, o pronto e civilizado atendimento ao doente (o que sofre, que sente dor, ameaça de morte); depois os dados finais de registro do atendimento, preenchimento completo de prontuário e acertos financeiros, guias dos serviços, se para o SUS ou plano de saúde. Quantos são os maus exemplos de uma “burra” burocracia, tantos papéis que ficam pendentes, e haja irritação, perda de tempo, idas e vindas às sessões contábeis e secretarias. Por causa  dessa retrógrada e descabida má administração de nossos gestores das políticas e administração de nossa saúde (ou doença) pública. O ministério da saúde dever se chamar ministério da doença, porque nunca deu conta de bem administrar a saúde dos cidadãos.

Outro capítulo irritante e péssima relação que se vê entre paciente e profissionais de saúde: as esperas nas recepções de hospitais e consultórios. Aqui, são os atendimentos eletivos, não urgentes, as costumeiras consultas médicas. É o item mais revelador da desorganização de um profissional ou clínicas de atendimentos. Porque é perfeitamente possível, o profissional se organizar com suas secretárias e recepcionistas e proceder cada atendimento por agendamento, com hora marcada. É o expediente e cultura da imbecilidade e incapacidade de cada médico (a), dos consultórios, o tão antipático e incivilizado atendimento por ordem de chegada! É irritante, é tedioso e muito imbecil essa nefasta prática nos consultórios particulares ou públicos. São as jabuticabas do Brasil, muito comuns de nações subdesenvolvidas! Amargas frutas!

João Joaquim de Oliveira - médico e articulista do DM 


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