Dois são os fenômenos psíquicos ou psiquiátricos que resumirei neste artigo: a síndrome tarda e parva e a síndrome do conformismo. Sucintamente, tardo e parvo: imagine aquele criminoso que num acesso de vingança é capaz de cometer o crime mais perverso, sem pensar e refletir no tamanho de sua pena diante da Justiça, de um Tribunal do Júri. Sobre o fenômeno do conformismo, imagine aquela pessoa que de uma personalidade até muito rígida e de refinados valores éticos e morais, mas que seletivamente é capaz de aceitar certas atitudes e conduta de quem ela (conformista) se tornou cordata, lhana e protetora: um filho ou filha ou outro parental ou gente de sua intimidade.
A expressão latino-portuguesa antiga "mente parva e tarda" refere-se a uma mente tola, limitada e vagarosa no raciocínio. A palavra "parva" vem do latim e significa pequena, insignificante ou boba, enquanto "tarda" indica lentidão ou atraso para compreender as coisas. O indivíduo ouve, lê aquela palavra, entende rasamente o significado. Entretanto, na prática se torna um analfabeto de seus resultados e cobranças da prática e cometimento delitivo ou ilícito; caso dos crimes por esse sujeito praticante!
Tanto uma como a outra síndrome (tarda e parva/ do conformismo) mostram o quanto é complexa a mente humana, a capacidade de raciocínio, o pensamento abstrato e lógico, a reflexão sobre a dinâmica de cada atitude, de cada gesto e tomada de decisão.
Em psiquiatra forense, a síndrome parva e tarda é também denominada condutopatia. Refere-se ao comportamento e gesto tresloucado de um criminoso capaz dos delitos mais reprocháveis pela Justiça. No entanto, incapaz do remorso, do arrependimento. Há uma frieza e congelamento de sentimento humano pelo outro, pela vítima fatal.
Da síndrome do conformismo temos o modelo do pai ou da mãe, que embora pessoalmente, para si própria cultiva altos valores éticos e morais, critérios de organização e relações sociais civilizadas dignas de admiração, este pai ou mãe, se coloca em posição subalterna e de servilismo no trato com um filho ou filha, ou pessoa a quem ela devota muita estima e acolhimento. Entram aqui o que se denomina de cumplicidade e conivência. Há ciência da ilicitude, mas a pratica na proteção de outrem.
Nessa síndrome do conformismo, essa mulher ou homem, para aquela pessoa, aquele indivíduo, alvo de seus afetos e proteção, essa mulher ou homem (mãe, pai ou simples amiga ou parental) vê tudo como normalizado e natural nesse alvo. Embora sob o crivo ético e social; sob o crivo de etiqueta ou cooperação, seja um perdulário ou folgado ou explorador das energias e bens de outrem. Os chamados (as) folgados e golpistas protegidos por essa pessoa protetora, conformada e cúmplice.
Enfim, a pessoa acometida da síndrome do conformismo, vai naturalizando e normalizando todos aqueles gestos e atitudes antissociais da outra pessoa protegida, da falta de organização na casa por exemplo dessa pessoa tida e aceita como intocável e imune a qualquer reparo ou repreensão, nos quesitos de higiene e cooperação na mantença do domicílio e outros atos das boas e solidárias relações humanas. Tanto uma síndrome como a outra mostram o quanto é complexa a mente e capacidade do raciocínio e perfil psíquico e comportamento das pessoas.
Um exemplo encontradiço na sociedade da mãe com síndrome do conformismo. Aquela mãe que para escudar o filho de reprovação em seu estilo de vida, em tudo o apoia. Dá-lhe sempre os objetos digitais da moda, o poupa de qualquer esforço ou fadiga laboral, o mima sempre com boas comidas e licores, o satisfaz custeando-lhe as canetas emagrecedoras, preparando-lhe os mais saborosos pratos e manjares. Para si e para tantos outros da família essa mãe e protetora filial, se mostra rígida, intolerante, crítica e cobradora da correção moral e laboral. Mas, aquele filho ou filha alvo de sua proteção, tudo feio, sujo, desorganizado e supérfluo é naturalizado e normalizado. Curiosa e instigante mente e psique humana.