SUBSERVIÊNCIA E VENALIDADE João Dhoria Vijle Lisboa

Tanto a Psicologia Positiva quanto a Psiquiatria, porque por vezes resvala para a morbidez tal fenômeno, o da venalidade pessoal, esses ramos das Ciências Humanas estudam bem esse comportamento (venalidade) de certos tipos de personalidade. Em termos mais discerníveis e compreensíveis, diz respeito e natureza daquela pessoa, não importa se gênero masculino ou feminino que se torna massa de manobra de outros indivíduos. E a tudo se mostra lhana, cordata, boazinha, cediça e tolerante.

Esse fenômeno da venalidade pessoal, tem um espectro polissêmico e amplos matizes. Porque abarca outros atributos e comportamentos. É um fenômeno que se apresenta nas mais variadas relações humanas; corporativas, societárias, profissionais e familiares. Não se trata apenas de a pessoa se mostrar disponível a toda solicitação de energia, labor pessoal, material ou suporte para ideias e propósitos. Ela se mostra apoiadora, complacente e cúmplice nos intentos, nos hábitos e gestos antissociais e incivilizados de outro indivíduo muitas vezes perdulário, explorador, espoliador e sanguessuga.

Vamos aqui lembrar trechos desse belíssimo poema, abaixo transcrito:

“Na primeira noite eles se aproximam/e roubam uma flor do nosso jardim/E não dizemos nada/Na segunda noite, já não se escondem; pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada. “No Caminho, com Maiakóviski” (autor Eduardo Costa).

 

 

Tal comportamento de certas pessoas, o da venalidade e cumplicidade tola, me lembra outro Costa, o do Alienista do Machado de Assis. Costa era um certo alienado, do enredo do magnifico conto O Alienista.

 

“Herdara quatrocentos mil cruzados em boa moeda de el rei D. João V, dinheiro cuja renda bastava, segundo lhe declarou o tio no testamento, para viver "até o fim do mundo". Tão depressa recolheu a herança, como entrou a dividi-la em empréstimos, sem usura, mil cruzados a um, dois mil a outro, trezentos a este, oitocentos àquele, a tal ponto que, no fim de cinco anos, estava sem nada. Se a miséria viesse de chofre, o pasmo de Itaguaí, seria enorme; mas veio devagar; ele foi passando da opulência à abastança, da abastança à mediania, da mediania à pobreza, da pobreza à miséria, gradualmente. Ao cabo daqueles cinco anos, pessoas que levavam o chapéu ao chão logo que ele assomava no fim da rua, agora batiam-lhe no ombro, com intimidade, davam-lhe piparotes no nariz, diziam-lhe pulhas. E o Costa sempre lhano, risonho. Nem se lhe dava de ver que os menos corteses eram justamente os que tinham ainda a dívida em aberto; ao contrário, parece que os agasalhava com maior prazer, e mais sublime resignação. Um dia, como um desses incuráveis devedores lhe atirasse uma chalaça grossa, e ele se risse dela, observou um desafeiçoado, com certa perfídia: "Você suporta esse sujeito para ver se ele lhe paga"

E assim, trazendo esses tipos psicológicos e antissociais para nossos espaços familiares vemos o quanto são encontradiças essas pessoas. Porque muitos dessas pessoas, pouco importam gênero e idade, são o que se pode nominar de legatários de família, educação mambembe e sem fulcros de boa qualificação nos quesitos de civilidade, de escolaridade e boa instrução de vida.

Tomando de empréstimo a obra verso e reverso de José de Alencar, quanto há de Ernesto, de Henrique, de Custódio. Verso e Reverso.

É o reverso assim, visto e revisto. Está o chefe, o homem da casa, chega o namorado da filha. Comida das boas, bebidas, salamaleques do chefe para o namorado. Rapapés, aquiescência. Sirva, prove, uma delícia! Experimente! E o namorado se refestela. Mas, de olho na telinha do celular! Ufa, deixe ver aqui, uma mensagem! Olha que lindinho. E a namorada do lado. Se refestela de bom gourmet, se empanturra; sobras no prato ficam. Sobras. Nem aí. Terminado o repasto; ah, que preguiça. Descanse, deite um pouco. Não, deixe que mesa eu tiro e lavo tudo. All right! Isto é civilidade moderna!

Nenhuma venalidade mais eloquente houve que os capachos de Adolf Hitler, na vigência do Nazifascismo. Quantos não foram os oficiais que participaram do holocausto em cega obediência e subserviência ao Lider daqueles horrores! Todos foram venais, outros de amostra grátis, naquelas horrendas atrocidades. Venalidade!

 João Dhoria Vijle Lisboa  

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