A adesão com que as pessoas adictas de Internet se ocupam de seus celulares e outras mídias, mostra de forma cristalina a que ponto chegou o fenômeno de alienação e isolamento desses usuários e usuárias. Os aparelhos de celulares que vêm sempre grudados nas mãos das pessoas servem-lhe como máscaras, tapa-bocas e viseiras. Porque a maioria está ali, plugada e em alerta com suas maquininhas! E os circunstantes à volta desses adictos digitais que esperem pacientes! O gesto do chamado olho no olho se tornou uma atitude humana rara, nos tempos digitais para os amantes de celulares.
O celular para filões imensos de usuários, notadamente para as gerações mais jovens já faz parte de sua anatomia. É uma extensão da mão. A dependência é tanta que as mãos do usuário (a) têm essa função principal, segurar o aparelho. Alguns jovens e moças costumam ainda os colocar no bolso de uma calça jeans ou pendentes no pescoço. Porque as notificações, os bips chegam continuamente. E a pessoa precisa conferir esses posts.
O uso vicioso do celular vem se tornando normal, natural. Há como que uma naturalização desses gestos ainda tidos como antissociais e incivilizados, porque esses consumidores estão sendo imitantes e simuladores (copistas) dos pais. Pais e mães, que muitas vezes são modelos e matrizes (a serem copiados) pelos filhos e filhas. Basta lembrar que na inauguração da Internet e celulares no Brasil (década de 1990), esses pais eram adolescentes e jovens. E esses pais de hoje, quarentões/quarentonas, se tornaram embevecidos e embriagados por essas mágicas. E o que fazem os adolescentes e jovens filhos desses pais, os imitam, são espelhamentos dos pais. Um efeito dominó.
Os danos sociais e intelectuais se tornaram tantos e tanto que vários governos de várias nações concluíram que presaram fazer alguma intervenção regulatória para as novas gerações. São os exemplos da Austrália, da Suécia, da Noruega e Finlândia que editaram regras e leis proibindo as redes sociais para menores de 16 anos. O Brasil se pôs na mesma esteira, regulamentando o uso de celulares e redes sociais em escolas. Mas, fica a crítica: em casa, será que os pais vão dar exemplos e instruir seus filhos e filhas.
Uma observação a se fazer é o comportamento de extrema dependência das gerações de gente mais jovem e mesmo os quarentões e cinquentões já viciados. Porque o celular para esses adictos faz parte de sua anatomia corporal. Ele é portado nas mãos, nos bolsos das roupas, nos pescoços. As pessoas estão sentadas à mesa e o celular ali nas mãos, tá no almoço e o celular sendo consultado, está na missa ou culto religioso e celular facilmente consultado. Ninguém mais encara o interlocutor. Os celulares passaram a ter também função de tapa-boca porque as pessoas pouco falam umas com as outras; máscaras e viseiras. Ninguém mais lê um livro simples, não sabem escrever um bilhete formal. Danos cognitivos e intelectuais irreversíveis. Até os profissionais de nível superior, médicos e advogados não sabem pensar fora das caixinhas de formação! Quando pensam porque agora surgiram as IAs. O surgimento da Inteligência Artificial terá como efeito o rebaixamento cognitivo das pessoas. Cada vez mais as pessoas pensam menos, criam menos, elaboram menos, escrevem menos, pensam menos. Trata-se de um fenômeno preocupante em termos de desumanização e imbecilização das pessoas adictas de internet e recursos digitais e robôs. Caminhamos para uma andrajosa indigência de ideias!