“Os jovens ficaram preguiçosos”, diz Tsainama Marubo, da tribo com o mesmo nome, nas profundezas da Amazônia. A culpa é da internet. Quem colocou o sinal lá foi a Starlink, do Elon Musk. “Quando a internet chegou, todos ficaram felizes, mas agora as coisas pioraram”.
As frases acima foram pronunciadas pela Indígena Tsainama, da tribo Marubo, do Amazonas. As afirmações são emblemáticas do poderoso e nocivo efeito que vem causando a hiperconexão na Internet e suas correlatas e caudatárias redes sociais. É de se estarrecer que até os povos originários, as nações indígenas foram como que engolfadas, embevecidas com o poder inebriante e aliciante e até alienante do que oferece esse poderoso instrumento democrático, livre e sem controle de qualidade e formação ética e cultural que é a Internet.
Muito remoto aqui de intentar demonizar a Internet, as mídias digitais, as redes sociais como um Instagram, um Tik Tok, um WhatsApp. A questão está na mente insana e antissocial, fútil e inútil de rebanhos e rebanhos de gente desocupada, de empresas, comércio, negócios e outras tratativas sem nenhum compromisso de qualidade, de cultura, de informação civilizada e construtiva para as pessoas que se tornam cativas, embriagadas e tragadas para os seus conteúdos.
Bem o disse a Indígena Tsainama Marubo, de tribo de mesmo nome. Antes os indígenas eram felizes, porque mantinham uma interação natural, de muita pureza e intimidade com tintas e colares, com a caça, a pesca, o extrativismo natural, as plantas, as florestas, o sol, os rios, os fenômenos naturais. Agora tudo pirou. Até os indígenas vêm sendo alienados por redes sociais!
Estudos conduzidos no país de origem da Internet, os EUA, mostram que desde a inauguração da grande rede (anos 1990), o índice declarado de felicidade e bem-estar, notadamente entre jovens e adolescentes, piorou sensivelmente, redução de quase 50%. Aumentaram as estatísticas de ansiedade, de depressão, de suicídio e outros transtornos psiquiátricos e dos déficits cognitivos e de aproveitamento escolar. Um divisor desses danos sociais e culturais foi o lançamento do Instagram, em 2010. Com vendas crescentes dos smartphones. Adolescentes e jovens vieram perdendo a convivência física, deu-se o incremento da solidão e bullying, via redes sociais. Aos poucos os pesquisadores se detiveram e constataram novos diagnósticos da dependência digital, de games; são doenças como a nomofobia, a fomofobia, o TDAH, autismo.
Um caso clínico social grave da hiperconexão iniciou-se, justamente no Instagram. A adolescente em questão é a americana Alexis Spence, agora já adulta. Ela criou sua conta na rede social aos 11 anos, sem o conhecimento de seus pais, e violando a exigência de idade mínima de 13 anos da plataforma. A denúncia alega que os algoritmos fizeram com que Alexis ficasse viciada na rede, tendo contato com conteúdos que enaltecem a anorexia e automutilação. Alexis foi hospitalizada por depressão, ansiedade e anorexia. A Meta, dona do Instagram foi processada pela família de Alexis.
Um estudioso da questão é o escritor americano Jonathan Haidt, com o livro Geração Ansiosa. Onde esse renomado Psicólogo diz como a infância hiperconectada está causando uma epidemia de transtornos mentais”. Ainda tendo muita correlação, a série Adolescência, Filme visto na Netflix. A questão central é o bullying. São dois personagens centrais que retratam bem essa grave questão, cometida através da Internet e redes sociais. Jamie de 13 anos e Katie. Surge o tema machosfera, o ciberbullying, um assassinato cometido por um adolescente. Enfim, só lendo e vendo o enredo, o filme, para se certificar melhor da temática.
Em conclusão, vale também o trabalho da leitura do livro Nação Dopamina, da psiquiatra Ana Lembke. Do impacto e do porquê do intenso apego das pessoas, agora jovens e velhos, até esses cinquentões e mulheres meio idosas, de se tornarem viciados, adictos como fúteis e inúteis consumidores de Instagram, de Tik Tok, de redes sociais. Nos tornamos todos um pouco marubos, quem sabe sem perceber, mas tornamos idiotizados e esquizoides internautas de redes sociais para uns e antissociais para a maioria. Como as pessoas se tornam subservientes de internet.
Entretanto, nem tudo e nem todos estão perdidos, nesse macrocosmo virtual sem regras e sem leis. Que tal passar a ler um grande filósofo grego Epicteto. Ele escreveu um belo código de vida; o Encheiridion/Enquirídio. Fica a dica. Na vida há coisas que a gente não pode alterar e melhor ou evitar. Mas, há muitas que eu posso interferir e corrigir.