Neste ano 2026, está a se aniversariar uma das figuras mais densas e intensas da Igreja Católica. Faz 800 anos que ele faleceu (1182-1226). Até nisso foi um personagem de muita distinção; comemora-se o seu falecimento. Santo tem dessas coisas. Em julho de 1182 nasceu Giovanni di Pietro di Bernardone (João Pedro) em Assis. O nome, escolhido por sua mãe, era uma homenagem à sua devoção a São João Batista. Virou Francisco de Assis, São Francisco de Assis. E merecidamente. Falecido em 1226.
E por que essa epígrafe em homenagem a esse personagem tão celebrado em todo o Planeta? Porque ele amava a vida, tão intensamente, que se tornou símbolo de Ecologia, da Fauna e Flora, em se tratando de quem cuida do Planeta. Seu amor à vida e aos animais era tão visceral, tão intenso que não admitia matar uma formiga-doceira. As formiguinhas eram por ele tratadas de irmãs formigas. E assim, as plantas, os grandes e pequenos seres desse planeta. Só por esse amor desmedido e irrenunciável, foi merecida a sua canonização e santificação.
E assim, fala este modesto e anônimo escriba. Por ser um perpétuo defensor de toda forma de vida. Não importa se for um animal bonito, feio, atraente, vistoso, colorido, amigo ou não amigo do homem. Prova e testemunho desse sentimento e ferrenho defensor da flora e fauna, de toda espécie animal é que foi morador de uma casa com um pequeno quintal, e ali cuidava de uns bichos, habitantes naturais daquela ínfima fração de terras. Eram os chamados feios e desajeitados escargots (caracóis, ou caramujos); talvez do gênero megalobulimus. Era só chover e os bichos saiam da toca, do interior do solo e iam para a rua, nas calçadas. Havia que se buscar e devolver os bichos e protege-los das pisadas dos pedestres. “Deixe os bichos aí, são meus animais de estimação! Vocês não gostam de cachorros! Eu Gosto de meus escargots”, dizia eu (João Joaquim ) para os passantes que praguejavam os lentos animais, perdidos na via pública.
E aqui já mudo então para a relação das pessoas com os seus pets; especificamente os cachorros. Para essa menção e foco canino, eu busco uma tese do filósofo Friedrich Nietzsche (1844-1900). Disse ele alto e em bom tom que nós humanos somos animais de rebanho e de manada. Seguimos um grupo ou líder. Muitas vezes pelo simples seguimento. É muito useiro e vezeiro os termos ou frase: “eu sigo fulano nas redes sociais e no Instagram”. São os influenciadores (messias) e seus seguidores. Alguns casos são mostras legítimas da idiotia que toma conta da humanidade. Se há os “youtubers vêm atrás os idioters”.
A dinâmica, da tutoria e posse de um cachorro como pet ou adorno se dá assim: foi-se tornando moda a posse de um animal, além das funções de guarda, de guia e da caça. Enfeite, cia, adorno, inútil ocupação diária. “ Você tem um animalzinho, eu também vou ter um” . Assim o diz a tese nietzsiana: efeito manada, efeito mimético, de copista, de imitação. Sociedade imitante, copiadora. Que perpetua a repetição. Qual sentido?
Na análise do absurdo há o ensaio de Albert Camus, em o mito de sísifo. Vê-se a imagem da inutilidade da posse de um cão, grande ou pequeno. Pior ainda, se for confinado em um apertado imóvel, um apartamento. Mais apartada de significado fica a pessoa nessa posse. Todo dia. Levantar, retirar os excrementos fedorentos. Alguns donos e donas, nem fazem corretamente. Vai à rua, quando vai, passeia com o animal. Mais excrementos. Gases e odores fétidos. Recolhimento. Rolam horas, inútil tempo. Pedra sobe, pedra desce. Trabalho de sísifo, todo dia, horas inteiras! Que sina, que destino. Determinismo voluntário. Em tempo: registra a tese evolucionista que os cães domésticos são descendentes diretos dos lobos e espécies selvagens. De pouco foram se relacionando com os humanos. Parceria, caça, guarda, proteção mútua. Se tornaram até adornos e status social e de poder e violência para alguns humanos. Humanos? Vivemos a era da antropomorfização dos animais. Cachorros como exemplos.
João Joaquim de Oliveira - médico e articulista do DM