ESTRANHO MUNDO DA GERAÇÃO DIGITAL

Com a eclosão da pandemia da covid19 em 2020, muitos foram os sentimentos que voltaram a ser valorizados e praticados entre as famílias, na vigência da pandemia. Como exemplo a solidariedade, a generosidade, o voluntariado e a empatia. E assim podemos lembrar outros sentimentos e valores negligenciados e esquecidos por grande parte da sociedade. Exemplos: o cuidado com a saúde física e mental, a prevenção de doenças com altos índices de morbidade e mortalidade como o infarto do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais (AVC) e a obesidade.  Passado o medo da covid19, as pessoas esquecem esses citados sentimentos e cuidados. Curioso! Não é! Memória curta.

Neste quesito por exemplo de doenças debilitantes e letais, o quanto é menos doloroso, de baixo custo e eficaz a prevenção continuada. São estratégias por exemplo de uma alimentação equilibrada, uma permanente atividade física, sono de boa qualidade, boas relações sociais, abstinência total de cigarro e álcool. Todo vício é muito pernicioso, para o usuário e para as pessoas do convívio. E aqui, em se falando de vícios, inclusive a dependência de substâncias lícitas, os psicotrópicos, um sonífero, um calmante; todas são drogas com o mesmo potencial maléfico de uma cocaína ou maconha.

Tomando aqui o foco central, os chamados sentimentos que permeiam e norteiam as relações humanas; os sentimentos de todos os contatos e interações das pessoas. É de se enfatizar que o animal humano, o homem e a mulher são animais gregários. Isto é; somos animais que por natureza vivemos em grupo e com uma mútua dependência. A vida isolada e sozinha soa vazia e de pouco sentido. Logo, precisamos uns dos outros. Faz parte da natureza humana o ajuntamento, a reunião e interação umas pessoas com as outras.

Na pandemia da covid19, falou-se muito em um sentimento. Da empatia. Para melhor compreensão, vamos deslindar o termo. Tomando a palavra paixão, do latim passio ou grego pathos. Na origem significa dor, sofrimento e a semântica deu uma mãozinha e traduz uma forte sensação amorosa pelo outro. A ponto, se muito intensa, levar de fato ao sofrimento psíquico e até físico pelo outro. Imagine, a pessoa declarar ao outro: “meu amor por você me causa dor e sofrimento”. Soa meio exagerado, mas não é onda de quem ama intensamente.Quem ama sofre a falta do outro, a ausência. Não é raro se um cônjuge falece o outro abrevia também a sua morte. Tristeza e solidão exageradas matam. 

A partir do termo paixão pode-se extrair outros sentimentos: antipatia, simpatia e empatia. A antipatia e empatia são extremos dessa sensação. Tanto uma como a outra, pode causar dor física e bem-estar de quem sente. A antipatia; um sentimento exagerado de rejeição ao outro por motivos intrínsecos ou provocados que de fato causa mal-estar no simples contato físico. Há esse tipo de gente que reverbera energias negativas, são repulsivas para outras. E ao contrário, há pessoas que de forma natural, ou fruto de sua educação familiar (de berço) se tornam imensamente empáticas, acolhedoras, generosas, civilizadas, dadas ao amparo, à compreensão, amigas e fraternas de quem delas se aproxima. Isto é empatia.

O que é e como se dá a prática da empatia. O termo é autoexplicativo. Basta entender o em como entrar, dentro. E pathos, passio, de sofrimento. A empatia é essa sensação de se colocar no lugar e no sofrimento alheio. É um sentimento que vai muito além do estar diante de outra pessoa doente, com dor física ou psíquica. A pessoa empática se solidariza com o outro nas mais variáveis e pequenas esferas da vida.

Vamos imaginar cenas singelas das relações humanas. Você vai visitar uma pessoa. Sendo convidado ou não dessa pessoa anfitriã. Chegando lá o dono ou a dona da casa está nos preparativos de um saboroso, capitoso e nutritivo almoço. Mas o chefe ou a chefe de família, ainda está nas lidas, no corre-corre desse almoço. O que se tem como empático e até ético nesse momento? Se oferecer para alguma ajuda, uma lavagem de louça, um preparo de alguma bebida, uma varrição de algum espaço. Uma arrumação e organização de mesa. Empatia e etiqueta de quem está ali como visitante. Que belo gesto!

Agora, imaginemos esse revertério, aquela linda moça, jovem com saúde de ferro para dar e vender, toda perfumada, saia subindo a meia coxa de não se poder muito abaixar para pegar alguma coisa. Senão ficam à mostra as partes íntimas. Cumprimentos. “Olá, você tá bem né? Eu tô, que linda você está!” Ah, obrigada”. Senta, agora mesmo sai o almoço. E corre e corre.

A donzela e vistosa dondoca jovem vendendo saúde. Se senta. E caixinha de lixo grudada. Olhos arregalados, vidrados, brilhantes. “hum! deixe ver quem mandou! Caixinha de lixo. Insta, face. Imagens, fotos, fake. Tudo lixo! Que mundo estranho vivemos com certas gerações de moças e moços, dos chamados tempos da pós-modernidade, como disse e disse bem o filósofo polonês, Zigmunt Bauman.São relações e amizades interesseiras, fluidas. Quanta superficialidade nessas declarações falsas e faltas de afeto e empatia pelo outra pessoa bem ali, se esfalfando, se ralando para bem servir a convidada (o). São gerações muito descoladas, desapegadas de atributos civilizatórios e humanos. Mais que éticos, dentro e fora desses momentos saborosos, gustativos. 

Posts mais recentes

DEMÊNCIA E INSANIDADE MENTAL DIGITAL

Com o advento e inauguração da internet e suas consequentes e derivadas descendentes, mídias e todas as tecnologias da informação vieram out...