REFLEXÕES DE UM REVEILLON

 

A palavra réveillon tem origem no francês e no latim, referindo-se a jantares e celebrações que ocorriam na véspera de datas significativas, como Natal e Ano Novo, quando as pessoas permaneciam acordadas até tarde em vigília.  A festa da virada é conhecida como Réveillon porque representa o "despertar" para o novo ano, um período de renovação, reflexão e definição de novos objetivos. Réveiller deriva do latim vigilare, que significa velar ou não dormir.  A tradição foi trazida ao Brasil durante o II Império de D. Pedro II.

O interessante e igualmente intrigante é quando se discute os preparativos, arranjos e festividades em torno da alimentação e das comemorações nessas datas. Se prestarmos bem atenção aos gostos e aos corre-corres dos bons gourmets, dos glutões e comilões, aos forra-digestivos, ao fígado, pâncreas e todo o trato digestório. É evidente a quantidade de competição em relação ao que comer, quanto comer e até quanto a pessoa vai se esbaldar, repimpando de vaca (imagine, empanturrar-se  em vaca-atolada).

Vaca atolada de comida! Por que não o boi, o porco, a leitoa, especialmente à pururuca? Algumas são realmente irresistíveis, dada a saborosidade dos ácidos graxos saturados de carbono, colesterol, triglicerídeos, lipídeos bons e ruins. Vamos imaginar uma carne assada, a liberação dos aromas, a volatilização da queima de proteínas e açúcares presentes na carne, a degradação de tudo isso. Ah, que fragrância, que perfume, que aroma. Tudo cheirando, e os convidados já salivando, ativando a cadeia enzimática na expectativa desse prazer digestivo.

A História nos conta que o hábito de grandes banquetes remonta ao período de decadência do Império Romano, por volta do século V d.C. Além da instabilidade política, econômica e social, houve uma transformação nos costumes alimentares. Um exemplo típico era o uso do triclínio, um tipo de leito onde cabiam três pessoas que faziam suas refeições deitadas. Tal prática era restrita à nobreza e aos cidadãos ricos, dado o alto custo de vinhos, carnes nobres e licores.

Tome-se a origem da doença psiquiátrica bulimia. Um distúrbio de empanturrar-se de comida e vir o remorso, o medo do ganho de peso ou o mal-estar digestivo. Em seguida, o comilão, o glutão, o bom gourmet vai ao banheiro e provoca vômito. Em alguns casos, recorre também ao uso de produtos laxantes, resultando em diarreia.

Em um breve resumo do que afirmam psicanalistas e sociólogos, nós, humanos, nos comportamos excessivamente sob o chamado 'efeito manada'. Seguimos sempre uma moda, um apelo, um marketing, um líder, uma propaganda repetitiva e aliciante (não menos alienante). Disso são exemplos as pessoas se empanturrarem com comidas, bebidas alcoólicas ou refrigerantes (como a Coca-Cola), comendo pelo simples paladar ou pelo simples participar de ceias e mais ceias. Algumas chegam a se gabar de frequentar vários eventos e de neles proceder a enormes ingestões de iguarias e bebidas. Dois ou três dias de enxaqueca? Isso não é problema! Tomam sal de fruta e analgésicos. Só três dias melhora! Por fim, para concluir: a quem seguimos em nossos 'efeitos manadas' nessas datas festivas? Seguimos as grandes indústrias de comida e bebidas, como a Coca-Cola (que até criou o Papai Noel); as fábricas de chocolates; os frigoríficos. Não bastam a leitoa e a vaca, vêm o boi, o carneiro, o peru, o chester, as salsichas, a farofa, os doces, os manjares. Que inveja daríamos aos antigos ricos do decadente Império Romano e a outros gourmets da Idade Média.

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