IDIOLETOS E REGIONALISMOS
Cada povo, cada gueto, cada sociedade pode ter as suas particularidades de expressar. São os dialetos, idioletos, regionalismos, os idiomas. Por isso esse prefixo id, uma forma de identidade. O idioma define o povo. Dentro de uma nação, uma civilização, surgem os dialetos, os idioletos, expressões idiomáticas, as gírias que identificam as pessoas, neologismos, códigos e assim por diante
Estamos em Pernambuco, bem representativo do Nordeste brasileiro. Como que ressumando um outro povo, um outro país, outro Brasil, dentro do Brasil. Região de vasta cultura, amplo folclore, mitologia, cultura indígena, influência afro, portuguesa, holandesa etc. Consentaneamente lugar rico de artes, Literatura, música, política, filosofia, escolas literárias de toda ordem, em todos os tempos.
Aqui no Nordeste, bem que pode ser construído um grande panteão a esses grandes ícones da História, das Artes, das várias culturas. Alguns desses: Castro Alves, Joao Cabral de Melo Neto, Jorge Amado, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Monteiro Lobato.
Este, mais que breve ensaio, se encerra em mais que uma expansiva digressão. Resulta de ata ou registro de singela tertúlia gastrocnêmica. Os prolegômenos encimados foram no mero intuito da homenagem regional. Nessa fabulação como modelo discorria-se sem muito alongamento e outras algaravias. Quatro eram os textualistas desse conventículo e falavam sobre personalidade e caráter humano. Matéria não transcendental, mas, de interesse moral e consuetudinário.
Uma das temáticas era a arte de refenização psíquica e social. Como ela se dá e a expertise de quem a conduz, mesmo se o tema não condiz com os circunstantes. E assim ela se engendra de forma eficaz e profícua de quem dela se vale para surrupiar e esbulhar terceiros. O autor e fautor de outro como refém vai se acercando da pessoa ingênua, um parente, amigo, com loas, panegíricos, adjetivações, pérfidos e tartufos encômios. Verbalizações fofinhas e melífluas. Chega a um estágio que ele, o "sequestrador", tem a integral adesão da vítima. Ao jeito e à moda da síndrome de Estocolmo, queiram ver na wikipedia.
No Nordeste há também a arte do inzoneiro. Inzona parentomarital, como se denomina em outros Estados? Alienação Parental. Bonito o nome, mas dá na mesma. Aqui no NE quando alguém malandro quer se apoderar do cônjuge do outro ele cria uma camarilha de comparsas. Até conseguir o seu intento. E consegue. Mas, com algumas ressalvas. Costuma haver assassinato de comborça (o).
E continuou o sodalício cultural e regional. De alguns sabidos e praticados no NE há muito o ofício de xexeiro. Tem nome díspar em outros Estados da Federação. Vem de Seixo. Sendo o camarada de têmpera estroina ou estróbilo, ele o seixeiro, vai se acercando da pessoa ingênua. Uma parenta, sobrinho, irmã, amigo próximo. E vai se tornando essa pessoa uma ingênua, quando ela por natureza já não é. Conquista sua confiança e tome de empréstimo o que quer, um bem, um dinheiro e não paga nunca. Seixeiro em voga. Cuidado.
Tal usurpação do alheio se dá não para um sinistro, um socorro famélico, uma doença ou invalidez. Não! Tal assalto sub-reptício e logro nomeado de ato xexeiro se faz para um capricho pessoal, um luxo, um regalo, um bem supérfluo adiável, melhora em algum patrimônio, um utensílio doméstico, do gosto e usufruto do usurpador. Chamam-no por isso de xexeiro inzoneiro. O Brasil e seus regionalismos.