Como se dá as relações dos animais ou de qualquer organismo vivo com o “meio ambiente” à sua volta? Com os órgãos sensoriais. Mais popularmente conhecidos por órgãos dos sentidos (sensoriais). Os principais são visão (olhos), audição (orelhas), olfato (nariz), paladar (boca) e tato (pele). Todos os animais e os humanos se comunicam com o meio externo através desses órgãos sensoriais. Eles funcionam como antenas, radares, detectores de mudanças de toda natureza. Física, forma, tamanho, cor, odor, movimento.
Esses órgãos sensoriais têm múltiplas funções. A preservação da vida, a eficiência das tarefas laborais, a nutrição, no bem-estar físico e psíquico, na felicidade, nas sensações de prazer, na saúde global.
Os órgãos dos sentidos podem sofrer efeitos nocivos por fatores externos. Esses fatores podem ocorrer indiretamente (involuntariamente) ou ser auto infligidos (provocados conscientemente pela pessoa). Tomem-se dois exemplos para mais clareza. A visão (olhos) pode sofrer danos pela exposição a raios ultravioletas, acidentalmente ou conscientemente. Ou também pelo uso de algum colírio sem prescrição médica. A audição (ouvido) pode sofrer danos pela exposição a ruídos tóxicos; seja ambientais ou na audição de sons musicais de altos volumes.
Bem claro está que as pessoas usam muito os órgãos dos sentidos na busca e obtenção de prazer e da “felicidade”. Visão, audição, tato. O que se pretende mostrar neste artigo são os danos e os efeitos colaterais nocivos, tóxicos e destrutivos à saúde orgânica e psíquica das pessoas. Basta ter em consideração que a saúde mental e emocional está muito associada à boa e integral saúde do corpo. Então o adagio popular: “mente sã em corpo são”.
Dois são os órgãos sensoriais que pelo mau uso trazem mais danos, doenças, invalidezes e morte às pessoas. São eles o paladar e o olfato. Este dois órgãos dos sentidos são gêmeos, funcionam complementarmente, interativamente. A nossa digestão inicia-se pelo cheiro das coisas, pelo odor de alimentos e bebidas, pelas características organolépticas do que ingerimos e comemos.
Nesse contexto e análise é compreensível que a humanidade, grande parte dela, faz da ingestão alimentar abusiva, exagerada, superavitária uma das principais expressões de prazer e felicidade. A grande maioria dos comilões e comilonas comem instintivamente, despudoradamente, desavergonhadamente. E este excesso repetitivo vai muito, mas muito além do exigido como alimento e nutricional. Esta, a principal função dos alimentos.
Quando se fala em efeitos nocivos e deletérios no uso abusivo dos órgãos sensoriais do paladar e olfato basta a lembrança dos excessos ponderais, a obesidade, que se classifica em vários graus, até a mórbida. Ela é ocorrente e frequente em pessoas saudáveis e muito pior em quem já é portador de alguma comorbidade: diabetes, hipertensão, dislipidemia, cardiopatias.
O certo e real é que o estilo de vida das orgias gastronômicas e prazeres da mesa se tornou uma religião. Em qualquer encontro, sessão cultural ou profissional existem sempre as ofertas dos prazeres digestivos como recompensa, os brindes de farta mesa dos comes e bebes. As pessoas chegam sóbrias a esses encontros e saem repimpadas, empanturradas de batatas, mandiocas, frangos, vacas, carboidratos, manjares e chocolates. Algumas voltam para casa com enxaquecas e embriagadas, que duram em média dois a três dias. Prazeres e felicidade da boca e do baco. “ Eu sou humano e nada que é humano me é alheio” – Terêncio – poeta romano.