LIVROS NAS MÃOS
Eu fico a imaginar o seguinte cenário atual e futurista: se em lugar de telefone celular as pessoas portassem livros nas mãos. Poderia ser livros de bolso, boas revistas, jornais, textos, apostilas. Imagine o quanto iria melhorar os qualificativos culturais, críticos e científicos da humanidade. Poderíamos sair de um índice de 15% de analfabetos para quase zero%. Não é que estejamos a recomendar a extinção dos smartphones, dos aparelhos de telefone celular. Eles também deveriam ser portados, mas que ficassem guardadas para a função a que foram concebidos e inventados, telefonia móvel. Serviriam para ligações telefônicas. E até aquelas comunicações inadiáveis em uma gravação ou mensagem de whatsapp.
A internet e todos os objetos de mídias digitais são das invenções as que mais danos vêm causando ao desenvolvimento cerebral, cognitivo, intelectual e psíquico nas pessoas. Todos esses danos pelo excesso de uso, já comprovados cientificamente, em poucos anos da popularização desses recursos virtuais e tecnológicos. E atenção, nunca dos nuncas se recomenda a extinção das tecnologias da informação. Trata-se, esta crítica, do emprego abusivo desses recursos.
São danos, perdas cognitivas e retraimento social que se fazem lentamente, gradualmente, silenciosamente. Mas, são déficits e perdas em escala global. Basta imaginar como modelo o Brasil. Existe mais de um aparelho para cada habitante. Para tanto, tem prevalecido a chamada escravidão tecnológica. Uma simples observação das camadas ou estratos sociais é suficiente para materializar essa realidade. Existe o chamado apelo do pertencimento. O indivíduo pode ser um desempregado, um beneficiário do auxílio Brasil, até um andarilho. No entanto, ele troca comida por um celular. Ele também se sente um possuído do aparelho e com ele se mostra dentro do grupo (conceito do in group e out group). Dizia o notável Millôr Fernandes: eu quero possuir a tecnologia, mas não ser possuído por ela.
Inúmeros são os trabalhos científicos que demonstram os danos psíquicos e cognitivos pelo excesso de uso das mídias digitais, com o seu representante protótipo, o telefone celular. Os smartphones passaram a integrar a anatomia de seus usuários, ele é uma extensão das mãos. Os adictos tecnológicos do celular sofrem da chamada nomofobia e da fomofobia (fobia da desconexão e fobia da falha do celular).
Várias pesquisas e ensaios clínicos tem demonstrado o quanto o excessivo tempo de exposição à tela de celulares, tabletes, notebooks e vídeos de toda ordem (games como exemplo) podem afetar o desenvolvimento cerebral e as funções cognitivas das crianças, dos adolescentes e jovens. São faixas etárias onde o cérebro, as sinapses, a inteligência estão em processo de formação, de diferenciação e desenvolvimento. Como dado de interesse das Neurociências, o cérebro humano está plenamente maduro e desenvolvido aos 25 anos de idade. Olha, quanto de risco sofre nossa juventude. Tal consideração vale inclusive para outros vícios: álcool, drogas lícitas ou ilícitas.
Por que o livro, a leitura, a compreensão de uma palavra escrita, de um texto fazem o contrário da mídia digital? O celular, os smartphones, a internet são recursos que tornam o cérebro, a mente, o raciocínio sedentários. Esses instrumentos tecnológicos trazem tudo “pronto e mal-acabado”. Não exigem nenhum esforço mental, nenhum raciocínio lógico, nada de pensamento abstrato.
A prevalecer o império das tecnologias digitais; celulares e afins; as futuras gerações estarão condenadas a outras síndromes, além da TDAH, as chamadas dislexias, dificuldade de ler e a disgrafia, dificuldade ou inaptidão de escrita e redação. (: Dificuldades de Aprendizagem Específicas; Dislexia; Disgrafia; Disortografia; Discalculia). Hoje, já temos esses sinais e sintomas. Para uma simples soma ou multiplicação se usa uma calculadora. Recomendo a leitura do artigo “ A Fábrica de Cretinos Digitais”, do neurocientista francês Michel Desmurget.