A BUSCA DA INFELICIDADE
Percebam como as pessoas têm uma grande atração por coisas, por fatos, objetos, por informações que as infelicitam! Basta um olhar mais atento, um diálogo mais analítico e constatar o quanto de pessoas, de gentes dos variados estratos sociais que buscam e mantém ligações com feitos, novidades, acontecimentos que lhes aumentem a depressão, a tristeza, o isolamento social; enfim, a infelicidade
.Para tanto, os homens e as mulheres aficionados a essas realizações e infelicitações dispõem de um ferramental eficiente e de alto apelo e adesão. três são os recursos de que valem os usuários e usuárias desse arsenal de ansiedade, de depressão e infelicidade: o telefone celular (ou smartphone), a Internet e as redes sociais.
E aqui em nome de justiça, de inofensividade e inocência façamos uma ressalva das mais importantes, para que não se contaminem os seres e sua existência. Todos esses recursos virtuais, a Internet, as mídias digitais, literalmente todas elas são neutras, inócuas e atóxicas. Do ponto de consideração cultural e moral. Cientificamente está consolidada esta prova da neutralidade absoluta das tecnologias de: informática, da virtualidade, da informação e das Redes Sociais.
O que vem faltando nas invenções são as tecnologias da formação. Justamente esta grande revolução: formação. Assim que o povo ianque teve conhecimento da criação da Internet a serviço da NASA e das forças armadas, a grande rede de computadores logo se declarou, de minha parte sou inocente, em fui criada para o bem das pessoas, para a melhor qualidade de vida da humanidade. Os mesmos argumentos disseram os instrumentos de mídia e os celulares. Fomos todos concebidos para a utilidade, para bem servir as pessoas de bem.
E assim, em paralelo e ao contrário vem caminhando parte significativa da humanidade, a busca, a concretização de inúmeros eventos e afazeres do desprazer, de sufoco, da depressão, da infelicidade. De forma voluntária e pacífica. Isto se explica, porque somos animais de rebanho, de manada, seguimos influenciadores.
Para materializar essas tendências e vivências da nossa era, nossa hipermodernidade, quando muitas das posses são descartáveis e as escolhas e comportamento são líquidos e muito voláteis, podem ser tomados as opções da cosmética e da vaidade. As plásticas e estética de mudanças. Mudança de anatomia e da imagem. Quanto de ônus, quanto de sofrimento, quanto de dores, de insônia, de tratamentos pós-operatórios sofríveis. Algumas dessas plásticas, desses implantes, dessas próteses, desses silicones e metacrilatos trazem complicações, infecções graves, deformações faciais e peitorais, internações, sequelas e mortes. Toda essa via crucis, esse calvário, essas atribulações em nome de vaidade. Vaidade das vaidades, tudo se soma em vazios que são as vaidades.
As relações humanas se tornaram ralações (verbo ralar, sofrer) sociais. E o principal cenário se dá na internet e redes sociais. Antes, as desavenças ocorriam nos interiores dos domicílios. Hoje, quase todas estão centradas nas redes sociais. São namoros, fofocas, xingamentos, futilidades, falsidades de toda ordem, fake News, mentiras, mensagens de ódio.
Para concluir, citemos uma forma de diversão e entretenimento que anda na crista da onda, refere-se a um gênero de música que gera infelicidade e grande incentivo à depressão. Alguém já ouviu uma música sertaneja exaltando a natureza, a ecologia, a educação e cultura das pessoas? Longe disto, só infidelidade, bebedeira, frustação amorosa, apologia às drogas e ao alcoolismo. Criaram até uma terminologia nova, um neologismo para esse rosário de infelicitações, um novo gênero musical: Sofrência; é a exaltação da depressão, gatilhos para mais e mais sofrimento psíquico, tendência ao suicídio, separações, descrédito e desconfiança no cônjuge, na namorada, fabulação de uma possível infidelidade etc., intrigas, violência doméstica e até feminicídio. Enfim, é muito apelo ao que causa sofrimento psíquico, depressão, tristeza e infelicidade. Tudo de forma livre e voluntária. Tempos modernos e esquisitos.