Muito se vem falando sobre a importância da profissão médica. Esse relevo e visibilidade da medicina se dão em função da pandemia da Covid-19. Dispensável se torna dissertar sobre o quão devastadora e terrificante tem sido essa doença viral , com milhões de mortes pelo planeta. O Brasil vem contribuindo de forma significativa negativamente nessa triste estatística.
Nunca na história as ciências médicas e da saúde ganharam tanto destaque e tanto reconhecimento pelos órgãos oficiais e das pessoas comuns. A Imprensa, as plataformas digitais e sociedade fazem essas considerações em uníssono.
Desde os primórdios da medicina, o médico foi considerado um promotor da saúde e da vida. Basta lembrar do considerado pai da medicina, Hipócrates. Seu juramento, uma promessa de fé à saúde e a vida é um dos testamentos mais simbólicos do que deve ser o exercício, a filosofia e espírito dos cuidados pela vida. Essas diretrizes de ética, de generosidade e fraternidade são extensivas a todas as outras profissões da saúde: enfermagem, fisioterapia, psicologia, nutrição, bombeiros e outras profissões paramédicas. Inclusive devemos lembrar as profissões burocráticas, administrativas, de limpeza. Ainda, Técnicos de laboratórios, os biomédicos, e engenheiros médicos.
A crise sanitária mundial provocada pelo novo coronavírus, por outro lado pôs em evidência o quanto existem também dos chamados mercadores, traficantes, corruptos, charlatões e maus administradores da medicina. Tomando o exemplo ruim e nocivo do Brasil: A pandemia vem se transformando em um cenário onde a sociedade, a imprensa e órgãos públicos sérios e isentos podem de forma clara e segura constatar e diferenciar quem de fato são os profissionais de saúde, notadamente os médicos, que exercem a profissão com aptidão, com vocação, com voluntarismo e generosidade. E conhecer o lado podre dos maus profissionais, os aproveitadores, dos mercadores e negociantes delituosos da profissão: pessoas sem escrúpulos e sem nenhum compromisso com a saúde alheia, com o sofrimento, com a vida.
A sociedade e todos esses segmentos referidos - imprensa, mídias digitais, televisões - vêm presenciado ao mesmo tempo essa triste e deplorável realidade: o aviltamento e degradação do exercício da medicina e por via de conexão todas as outras atividades ligadas à saúde. Daí a classificação dessas pessoas, desses grupos de indivíduos, de empresários e administradores públicos e privados como traficantes e mercadores da saúde e da vida.
Como afirmado acima, esse tipo de gente, esses espíritos de pessoas, esses maus cidadãos e maus brasileiros sempre existiram. Muito provavelmente esses classificados indivíduos trazem na sua constituição moral e cultural duas heranças: uma genética e uma herança familiar educacional. A oportunidade da pandemia não os fez traficantes, mercadores, corruptos, venais e maus administradores da saúde e da vida. Foi apenas o sofrimento e a morte de muitas pessoas que os encorajaram mais a mostrar do que são aptos e capazes. Nesse sentido basta ler relatos, trechos, documentos e testemunhos do que consta nos registros da CPI da covid 19, do senado federal, encerrada em outubro de 2021.
E o que é mais lamentável, com órgãos públicos, agentes públicos e autarquias de classe profissional, cúmplices, omissos e tolerantes com esses detratores da profissão médica, da saúde pública, do bem-estar e da vida das pessoas parentes e vítimas da pandemia da covid 19.