O desejo secreto dos governantes

 Thomas Hobbes foi um filosofo que ficou conhecido e afamado como autor da obra O leviatã. O livro é a descrição da constituição e organização do Estado. A origem do verbete vem da Bíblia. Leviatã, na mitologia fenícia era um mostro reptiliano semelhante a uma serpente gigante capaz de pleno domínio, terror e respeito de outros bichos e monstros. Trata-se de uma alegoria, na visão do autor do que deveria ser o papel do Estado; a personificação de poder e autoridade sobre as pessoas, a sociedade, os súditos e governados, o povão, a plebe, os proletários. E, tristemente, na época de Hobbes, dos cativos.

            O objetivo do presente artigo é quase esse: o de mostrar o desejo, a inclinação e vontade que domina a mente do ser homem em tomar posse, em exercer o poder e autoridade tirânica sobre o outro ser humano. Aqui não se fala nem exercer o poder e tirania sobre outros seres animais. Porque a esses ele já domina, explora, maltrata e mata e abandona quando tais bichos se tornam imprestáveis, velhos e estrupícios, carentes de cuidado e proteção.

Um outro ser e grande vítima da ação tirânica e destrutiva do homem é o próprio planeta. A terra é um grande organismo vivo que encontra-se doente. É a destruição das florestas nativas, o esgotamento das reservas de água potável, as queimadas, o efeito estufa pelo acúmulo de CO2, o aquecimento global. Toda essa tragédia pela ação tirânica e predatória dos homens de poder. São monstros leviatãs dos outros homens e do planeta, de biodiversidade e flora.

            A ambição do poder, de ser tirânico e despótico, de poder tudo sem obediência, sem dar satisfação a ninguém ou prestar contas de seus atos. Mesmo que esses atos e decisões coloquem em risco a segurança, a saúde e vida das pessoas. Esses são os desejos de milhões de homens e mulheres do planeta. Muitos são aqueles que carregam um fermento de despotismo, um embrião e desejos de poder, de autoritarismo, de domínio e eliminação de outrem.

            Os estudos sociológicos, antropológicos e até arqueológicos demonstram muito bem esses instintos, sonhos e desejos. Em resumo todo governante traz um germe, um fermento interno de poder e tirania. Muitos dos chefes de Estado e de governo não se tornam tirânicos, ditadores e predadores (leviatãs) porque a constituição, as leis e as instituições de seus países o impedem dessa prática. Um bom exemplo são os EUA e outras nações europeias. Algumas nações, alguns Estados não suportam e são aos poucos capturados pelos tiranos. Exemplos da Hungria e Bielorrússia. Adeus democracia, adeus liberdades.

            A pandemia da Covid19, veio demonstrar essa face e pendor perversos a que se entregam certos governantes e homens de Estado. Como que um governante travestido e mascarado de democrata. E com retórica como falso democrata vai cooptando instituições do Estado, agentes públicos e privados em apoio as suas ideologias, crenças, ideias infundadas.

Muitas explicações vêm da Psiquiatria e das Neurociências. Quando esses ramos científicos mostram o que é a mente e tendência do bicho homem: a de poder, a de estar no comando das coisas e dos súditos. Como no filme, se não sou o presidente, posso estar entre “Todos os homens do presidente”. Os fins justificam os meios. Ao menos ser alinhado e aliado com o presidente, o chefe-mor, com o maioral, com o cabeça e comandante maior. Os fins justificam os meios, a adesão de muitos sectários e sequazes de líderes ineptos e inaptos para funções públicas e republicanas, para as quais foram eleitos.

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