Saqueadores

 O Brasil parece viver o purgatório de duas tragédias nessa passagem do novo coronavírus. A tragédia da pandemia da Covid 19 em si e o estúpido fadário das crises políticas. E esta crise política de agora que se irmanou com a crise sanitária da Covid, nos surge como das mais graves da vida republicana. Quando se analisa apenas a crise geral provocada por uma pandemia, tal como a Covid 19, ela por si traz o potencial de afetar vários setores da vida social, da Economia, da Educação e dos organismos de Estado, crise institucional.

            Agora imagine quando somados a esses eventos trágicos, de uma grave doença, sobrevêm outros eventos, fatos e crises dos poderes do Estado, das Instituições da vida brasileira! E é justamente diante dos imprevistos de enorme magnitude que se conhece quem são os homens e líderes de Estado que nos governam, que dirigem os destinos de um país, de uma nação, de um povo que elegeram esses governantes, acreditando em suas promessas, não cumpridas! Estúpido fadário! É este qualificativo que podemos atribuir à crise porque passam as pessoas nessa transição da pandemia do novo coronavírus.

Foram como dois raios, as crises que vivemos: a sanitária e a da ingovernabilidade. Imagine viver em uma organização ou organismo acéfalo, sem líder, sem comando, como se fôssemos conduzidos por uma nau de insensatos (vide obra a nau dos insensatos, do filosofo Sebastian Brant, 1457-1521).

            Assim vem sendo o Brasil com seu fadário de crises em crises. Nesta de então, fica a sensação do que o país foi tomado por grupelhos de pessoas, de homens que se dizem de Estado, mas que se dedicam aos próprios interesses pessoais, de famílias e apoiadores. Eles se irmanaram em carteis e tomaram de assalto o país.

Associados a esses homens e castas de pessoas eleitas por voto popular temos os grupelhos dos homens privados, de empreiteiros, de burgueses e empresários ricos, de gestores inteligentes e formadores de carteis que pouco importam com os meios empregados para os fins de mais e mais lucros, mais corrupção, suborno, ganhos e prosperidade injustificáveis. E assim, esses malfeitores da pátria vão se tornando aliados. Sejam em duo, em trio, em quarteto ou quadrilhas. O que importa para eles é isto: lucro. Vida próspera, exibição de conforto, luxo e supérfluo. Chegam a jogar dinheiro pelas janelas.

Pouco importa para esses poucos brasileiros bem sucedidos, privados e públicos, chefe de Estado ou de outros poderes, o estúpido fadário que abate sobre o país. É muito azar e mau agouro para um país só.

Pouco importa as centenas de milhares de mortos pela pandemia da Covid 19 já contabilizados no Brasil. Pouco importa a fila de pessoas passando fome e revirando o lixo dos ricos em busca de algumas sobras e migalhas de comida.   

 O que importa a esses empresários corruptos e saqueadores de Estado; a esses grupelhos que tomaram de assalto os poderes e instituições de Estado; o que importa, para eles é viver e viver

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