Para aqueles que gostam de história um tema muito relevante foi o da escravidão e das políticas escravocratas. Muitos são as questões a serem trazidas à baila em um tema tão candente e sensível. Como sugestões da natureza dessa triste e melancólica realidade podem ser pesquisadas por exemplo, as causas, os mecanismos empregados pelos países escravocratas, os mercadores de todo o processo na intermediação desse hediondo comércio. Entre outros quesitos na manutenção da negociação do tráfico e tráfego negreiro. Para tanto basta estudar um pouco mais as relações do Brasil com Angola. Já é uma ótima amostra da matéria.
De forma simplificada podemos lembrar que uma das causas da escravidão era cada país dispor de farta mão-de-obra muito operosa, produtiva e gratuita; até pelo biótipo, saúde física e força que apresentava a etnia negra. Cada pais escravagista, na era pré-industrial, tinha que gerar riqueza, produtos manufaturados (literalmente feitos à mão e artesanal). Os escravos e cativos eram essa força de trabalho. Havia como mantenedores do execrável mercado os negociantes da mercadoria humana e os sistemas políticos reinantes em toda a vigência daquela prática escravagista. Desumana e condenável.
Feitas essas recordações do que foi a escravidão mais conhecida, fica uma pergunta para encerrar tal inferência: ela acabou? Foi mesmo abolida? Tristemente pode afirmar que não! Para tanto basta ler um pouco os achados, registros e autuações das delegacias regionais do trabalho. Ainda são encontrados trabalhadores em tarefas e obras semelhantes aos antigos escravos. Trabalhos análogos à escravidão.
Pode-se em um escrutínio e análise mais regidos afirmar que há muitas formas de trabalho legal, com os mesmos rigores físicos, insalubres e desgastantes daqueles exercidos pelos escravos. Basta examinar como é a rotina e exigência do trabalho na lavoura, nos cortes da cana-de-açúcar, na construção civil, nas limpezas urbanas e outros de igual intensidade e jornada diária.
Os agravos físicos, de saúde e psíquicos aos quais são submetidos esses trabalhadores manuais e braçais são os mesmos que praticavam os cativos negros e não negros nos tempos da escravidão. E sabidamente com vários agravantes adicionais. Muitos destes são trabalhos temporários porque não há estabilidade nos vínculos empregatícios. Os salários são irrisórios, não têm direitos a uma assistência médica, alimentam mal e se adoecem ou sofrem algum acidente recebem assistência no SUS pior do que os animais de estimação dos patrões e empreiteiros.
Enfim, em poucos termos, acabou-se a escravidão dos antigos negros traficados da África, aquela em que não havia carteira de trabalho (CTPS). Todavia, muitos negros e brancos nos dias de hoje continuam em muitos cenários e canteiros de obras despendendo as mesmas energias e esforço físico, para sobreviver. Estes modernos escravos de agora sob a “oficial proteção” das leis trabalhistas. Que leis são essas que exigem tanto trabalho e comprometimento desses trabalhadores e pouco os retribuem em direitos, em assistência à saúde, às suas famílias com creches, escolas dignas, transporte seguro, alimentação e salários condizentes com o seu labor diário?