A GAMELEIRA É UMA ÁRVORE DAS VIDAS

Eis que então temos uma urgente questão das gameleiras. São 4 árvores do gênero Ficus, situadas na chamada praça da Cirrose- setor oeste – Goiânia. Uma árvore encontra-se em fase terminal da vida, e precisa ser extirpada do local, pelos riscos de queda com acidentes, com pessoas e residências. Um laudo do Centro de Apoio Técnico Pericial (Catep), do Ministério Público de Goiás (MP-GO), recomenda a retirada imediata de uma das quatro gameleiras. Para os outros três exemplares, o documento indica a possibilidade de preservação, desde que sejam realizados cuidados específicos e acompanhamento periódico.

O caso é alvo de divergências entre avaliações técnicas. As quatro árvores estão localizadas lado a lado, na calçada em frente a uma padaria e a um restaurante. De acordo com o CATEP, a primeira gameleira deve ser suprimida (retirada). Já as outras três podem ser mantidas, desde que recebam manejo adequado e monitoramento periódico.

A Agência Municipal do Meio Ambiente (AMMA) informa que recebeu as recomendações expedidas pelo Ministério Público do Estado de Goiás e vai implementar as melhorias. As análises avaliam o estado fitossanitário (sistema radicular, colo, tronco e copa), análise fitopatológica e estrutural e de risco de queda. Fonte: Jornal Opção Goiânia.

 

Vamos à Biografia da árvore. Considerando os reinos animal, vegetal e mineral. A gameleira é uma árvore, reino vegetal/vida. Um indivíduo que tem vida própria. Nasce do encontro de gametas, estruturas chamadas gineceu e androceu. Vê-se que parece gente! Fecunda-se, germina, nasce, cresce, floresce, enverdece e morre.  Entretanto, não é qualquer vida, porque abriga várias vidas, forma um bioma e proporciona benefícios a esses hóspedes que nela se alojam, abrigam, procriam, cantam como os pássaros. E mais, a árvore faz a fotossíntese. Em uma frase, a árvore é um ser vivo (botânico) que participa de forma estética, benéfica, nutricional, protetiva e fraternal de todas as vidas. Ou alguém duvida? Basta imaginar a vida no deserto, no Saara por exemplo. E quão rara é e quase impossível a vida nesse cenário.

O que se quer nessa mini descrição sobre a árvore como a gameleira (gênero fícus) é conclamar todos os órgãos responsáveis ao respeito que devamos devotar a esse espécime vegetal. Como já o faz os seus vizinhos, irmãos e protetores, as pessoas à sua volta. E seus próprios hóspedes. Basta como exemplos os pássaros canoros, as araras, os tucanos e pardais que nessas imponentes torres vegetais abrigam, fazem os seus ninhos e dormem. Na questão aqui em foco, as gameleiras da praça da cirrose. Havemos de lembrar que são quase 70 anos de sombreamento ao comércio, à própria praça e pessoas que ali repousam!

É de se pensar que como toda vida, a da árvore é finita. Mas convenhamos. Penso que os leitores (as) hão de convir, que haja um ritual em sua terminalidade. A começar pelos termos empregos. Sugiro que haja mais humanidade em sua, digamos eutanásia e não retirada ou exclusão. Foram quase 70 anos de prestimosos e vitais benefícios aos seus transeuntes e pessoas ao seu redor. E que, digamos os funerais da cremação, de pirólise ou carbonização (feitura do carvão) sejam seguidos com algum rito de gratidão e homenagem a essa vida tão indispensável a tantas outras vidas, como a humana.

Por fim, minhas palavras de agradecimento à professora da Agronomia da UFG, Francine Calil e ao formando João Victor. Com ele tive um saudável e científico encontro na praça Cívica Goiânia. Onde professora e formando realizavam cadastro das árvores dessa bela e hospitaleira praça. Lembro que cada um de nós trazemos no peito, uma árvore. A árvore da vida; o coração. Tome-se a imagem anatômica do coração, inverta-o. tem-se assim, o ícone, o símbolo da mais preciosa árvore, a da vida.

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