GENTE COM + OUTRAS COM MENOS NEUERÕNIOS

 COMO referiu Machado de Assis em seu conto A Causa Secreta, sobre o personagem Fortunato, a mente humana é de fato um poço de mistérios. Quantas são as pessoas com as quais mantemos um vínculo social, esporádico ou permanente ou mesmo de coabitação ou conjugal, que se mostram duas pessoas. No convício e próximas, sob os olhares de terceiros é uma pessoa, fora dessa visão outra personalidade.

Trata-se do mesmo mecanismo das chamadas éticas de coração e de coerção. Ou honradez de coração e de coerção. O exemplo mais cristalino nesse mecanismo é um presidiário com restrição de liberdade, atrás das grades. Aqui ele se comporta no padrão mais civilizado e honesto porque está sob as miras de guardas, de agentes carcerários, armas de fogo e câmeras de segurança. Põe nele apenas uma tornozeleira eletrônica, com limites de mobilidade. Quantos são os que quebram o dispositivo e escapam ao controle das polícias! 

Assim, são as pessoas na vida normal, em suas rotinas de convivência. As faixas de variações de comportamento são infinitas. Quantas são as pessoas que trazem intrinsecamente  suas deficiências de comportamento, as dificuldades de socialização, os entraves na conversação, as rejeições em suas falas e posturas físicas e sociais. São muitas e muitas gentes que se fosse possível um rigoroso crivo ou escrutínio da Psicologia Social, essas pessoas receberiam um parecer, um certificado ou laudo de sua perturbação social, de um desvio da normalidade, no que concerne à sua saúde social, mental, cognitiva e humana.

Basta tomar alguns exemplos da História Geral ou Universal. Um Hitler, um Mussolini, Um Pol Pot, um Stalin, um Lenin, um Vladimir Putin, um Donald Trump. Qualquer leigo sabe que eles são psicopatas e desviados da normalidade. Entre outras perturbações desses personagens da História Geral, eles tinham e têm a chamada megalomania e a mania da potestade ou do todo-poder. Além de destituídos de solidariedade, de generosidade, de civilidade, da ausência de remorso. Muitos são sádicos na quintessência.

De igual consideração e analogia e guardadas as dimensões e intensidade são muitas e milhares de pessoas ao nosso redor, que se questiona se são pessoas normais, limítrofes ou muito desreguladas dos circuitos mentais e morais. Nos recônditos de nossas famílias, de nossa amizade e intimidade. Há pessoas que trazem dificuldade de convívio! Elas trazem esses desvios do padrão civilizatório! Existe uma expressão lapidar, por ora apócrifa, que diz: “ de longe todos são normais” De fato, basta aproximar das pessoas e notar o quanto muitas têm a mais outras de menos, os neurônios da boa moral e da civilidade.

João Joaquim médico e articulista DM  

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