Estamos vivendo uma das piores epidemias no Brasil, em termos de saúde emocional, física e financeira. A epidemia das Bets. Mas, o que vem a ser essas tão propaladas Bets? Vamos resumir:
No sentido mais popular hoje, bet vem do inglês "to bet" (apostar). O que é: São sites e aplicativos digitais onde os usuários depositam dinheiro real em palpites de jogos de futebol, esportes em geral ou cassinos virtuais. Como funciona: O apostador escolhe um evento e arrisca um valor. Se o palpite estiver correto, ele recebe um prêmio proporcional (odds); se errar, perde o dinheiro. Em outros termos, a chance de errar e perder o jogado é infinitamente maior do que lucrar. Como qualquer outro jogo: loto, loteria, mega-sena etc.
Trata-se de um jogo ou negócio tão viciante e desonesto que o Governo e Justiça tiveram que intervir e colocar regras. Como por exemplo, a proibição para menores de idade. Pessoas e famílias em falência financeira, endividamento, ansiedade e depressão com as perdas e ruína familiar. Tornou-se uma questão de saúde pública, mental, física e financeira. Acaba de sair uma portaria (Governo Lula) proibindo esses jogos. Antes tarde que nunca.
O que se tem de explicação psíquica ou psiquiátrica é o mesmo mecanismo de uma dependência química: álcool, cocaína, diazepínicos, rivotril, escitalopran, sertralina, zolpiden, canetas emagrecedoras. Não há diferença neurobiológica nessa dependência. Temos aqui o fenômeno da recompensa emocional. A sempre expectativa da recompensa, efeitos mentais e cerebrais.
Propositalmente, estão citados alguns medicamentos que caíram no gosto popular e nos lucros bilionários dos Laboratórios Farmacêuticos. Os exemplos chegadinhos de fresco são zolpiden para insônia, rivotril para ansiedade e as canetas emagrecedoras. São medicamentos que deveriam ter rígidos critérios médicos de uso. Entretanto, caíram no colo de pessoas comuns, são usados já como automedicação. Se alguém não sabe das canetas de perder peso está mal informado! Está na boca do povo! Laboratórios e drogarias rindo de ricos!
Trata-se de outra chaga em saúde pública, a useira e vezeira automedicação. A estratégia da dependência funciona assim: o paciente vai ao médico com ansiedade, depressão, insônia ou com desejo de perda de peso. O profissional prescreve tal medicação de uso limitado e restrito; uma semana, um ou dois meses. Esse paciente sente os efeitos desejados com o medicamento. O que ele faz? continua o uso da substância, o entorpecente por exemplo! E como consegue comprar o produto? porque exige receita retida na farmácia. Qual solução? A receita de algum médico bonzinho e amigo ou a pirataria! Eterna dependência psíquica e neuroquímica!
No caudal do advento e criação da Internet e todas as suas derivadas, como as redes sociais, os aplicativos de entretenimento e jogos, vieram outras pragas e chagas. Como a própria webdependência, o vicio das conexões digitais, nomofobia e fomofobia. A Internet por si só se tornou um cenário propenso ao mercado de tudo quanto é nocivo, supérfluo, ilícito e criminoso, como a pedofilia, comércio de drogas ilícitas e outras práticas condenáveis.
Cada vez mais estamos imersos nessa sociedade materialista, consumista, medicada de psicotrópicos lícitos (prescritos por médicos) e substâncias ilícitas. E para completar esse nocivo e destrutivo combo, temos os jogos online das Bets; levando à ruína as pessoas propensas, ingênuas e aliciadas a esses engodos. Quanta maldade, quanta exploração da ingenuidade e fragilidade da mente das pessoas consumidoras dessas pragas e chagas insalubres. Temos uma sociedade altamente medicalizada! É difícil ter uma família, onde alguém não use zolpiden, sertralina, escitalopran, diazepan, fluoxetina, paroxetina, nicotina, maconha e cocaína. Ainda bem que proibiram o uso da reboxetina! Cuidado com a pronúncia, reboquissetina.