UMA SOCIEDADE DE INFRA-HUMANOS

Em se tratando de comportamento ou temperamento humano existem pessoas que portam duas características no trato com outras pessoas e com as coisas e acontecimentos. Primeiramente, o sentimento de empatia. Quantas não são as pessoas que sequer sabem o real significado de solidariedade e acolhimento ao outro. É aquela disposição de se colocar e sentir no lugar de outra pessoa, quando esta pessoa carece e sente falta de alguma ajuda em qualquer circunstância. Não é só na doença, na dor.  Até na lavação de louça e organização do ambiente compartilhado e usado. Definimos aqui a empatia

A segunda característica refere-se ao chamado limiar de frustração. Que tem outros nomes: resiliência, paciência ou resignação.  Frustração é um resultado negativo diante de qualquer espera, plano ou desejo. Exemplo, um objeto comprado e com avaria ou defeito; uma viagem que não se realizou; a perda de um bem, pequeno que seja; uma roupa que não bem se ajustou no corpo; aquele atraso em certa espera ou viagem. Quantas pessoas se desesperam, se descabelam, se irritam, se tornam de mau humor, desconversável, irritadiça, agressiva, diante dos pequenos fracassos (frustrações).!

Entra nesse tipo de reação, comum e normal a qualquer pessoa, o chamado limiar de frustração. É a capacidade ou disposição da pessoa superar e solucionar esses resultados negativos, sem negativismo, sem xingamento, com civilidade e compreensão. Nem tudo vai sair conforme o desejo e expectativa do ótimo e excelente. Quanto maior o limiar de frustração da pessoa, mais rapidamente ela se adapta e responde a esses fracassos! Se baixo esse limitar, ela pode sofrer mais, ter enxaqueca, ficar ansiosa, ter insônia e até adoecer. Para quê! E por que? A vida há de seguir.

A humanidade vive em uma época onde exacerba-se o materialismo! Nomeadamente após a inauguração e massificação da Internet, das Tis, das redes sociais como aplicativos de toda ordem (desordem), de TikTok, de Instagram e tantos outros meios fáceis e instantâneos de se conectar ao outro e com o que o mundo oferece de fútil, de inútil, de putrescente, de indecoroso e imoral. Todas essas páginas, oferecidas ardilosamente “grátis” são palcos de desfiles de vaidades, de narcisismo, de egoísmo, de aparências. Muitos são os adeptos e servos desses provedores, voluntariamente, em um efeito chamado de servidão voluntária. São pessoas que simplesmente existem pelas aparências, em um mundo irreal de fantasias, porque muitas se mostram ali como vedetes e exibidas. Muitas outras não têm o que mostram em fotos e cores e palavras de ordem! Abracadabra! São fotos, vídeos em festas luxuosas, casamentos, prazeres que essas pessoas exibicionistas não têm condições de posse e aquisição. Mas, exibem como suas!

As pessoas desses tempos e espaços virtuais  vão aos poucos se tornando zumbis digitais. Porque são incapazes de um contato físico com o outro, são incapazes  de dialogar algumas ideias construtivas, culturais e humanizantes. Sequer têm noção de fraternidade, de sermos de uma única raça, a raça humana e algumas etnias. Empatia e simpatia passam ao largo de muitos desses indivíduos que vão paulatinamente sendo desumanizados. Contrário ao sobre-humano de Nietzsche, podemos estar perto dos infra-humanos. Há um processo em curso no apequenamento dos usuários e consumidores. “Fulano morreu! Morreu ontem, recebi um telegrama, ou melhor um e-mail! Ontem ou anteontem! ”. Não sei direito. Preciso ir lá, acho que foi ontem”! Mais que Estranho, estrangeiro!

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