É da essência da vida que as pessoas aprendam com outras que sabem mais. E esse saber mais, da pessoa como referência abarca os chamados conhecimentos empíricos e os adquiridos em escolas e cursos de formação tecnocientífica e profissional. É de consenso que há muita importância na chamada escola da vida; que oferece os chamados conhecimentos empíricos. Empíricos vêm de experiência, de se aprender por ver outras pessoas nos seus labores diários, nas suas fainas, na execução de cada expediente da vida comum, de sobrevivência e do oficio profissional.
Um ensinamento empírico que a vida nos traz diz respeito ao expediente de se aprender com os mais velhos. Porque em termos populares, essa pessoa mais idosa já se encontra calejada da vida. São os afazeres com erros e acertos e a pessoa vai se aprimorando e ficando com os acertos. E aqui se fala também nos trabalhos técnicos e científicos, nos ensaios e protocolos, dos experimentos, até se chegar a um resultado. As etapas de uma pesquisa científica podem apresentar muitos fracassos. Seria o exemplo de um experimento de uma substância ou medicamento para certa doença. Nos testes sequenciais, in vitro, in vivo, ela pode se revelar eficaz ou ineficaz. E se mostrar sem eficácia busca-se um novo insumo para aquela doença. Erros e acertos, experimentos, tudo faz parte dessa pesquisa. Quantos não são os inventos, as descobertas que foram antecedidas por inúmeros erros e fracassos.
A menção a estas questões aqui postas do que é o funcionamento dos expedientes e rotinas da vida, são o mote de uma questão central aqui intencionada. Refere-se à chamada experiência, aos saberes e conhecimentos e de como cada pessoa deve reger e administrar sua estada em sociedade, nas relações sociais, no âmbito profissional e recreativo. O que se quer exalçar e sublinhar aqui é o aprendizado com alguém de mais idade e experiência. Porque a melhor escola de vida é a própria vida vivida por uma pessoa já calejada, pelos erros e acertos de cada gesto e expediente. Com tal vivência, a pessoa vai filtrar e depurar aquilo que ela sabe ser o melhor, o mais acertado e bom para ela e outras pessoas convivas e aprendizes, gente disposta a essas influências. E vêm as razões e discussão a seguir.
Partindo novamente de como se aprende cada pessoa, de per si, com outras mais velhas, experientes e calejadas, melhor exemplo não existe do que a chamada educação de berço. A melhor escola e melhor instrução ou pior escola ou ruim instrução se adquire em família. É a criança nascida sem nada saber (analfabeta absoluta) e se instruir com a mãe, o pai, a babá e pessoas à sua volta. Vem a adolescência e vida adulta e o indivíduo melhor preparado, mais experiente, nunca pronto, porque a vida é um eterno aprendizado. Mas, será que ele está mesmo pronto para a vida? Aprendeu bem e acertadamente, tem-se um cidadão (cidadã) civilizado, produtivo, sociável, participativo e de boa convivência. Aprendeu do jeito mambembe, tosco, enviesado. Ter-se-á uma pessoa frágil, gente-problema, dependente de outras para funcionar, para subsistir. E o Brasil está infestado desses tipos, os chamados espíritos latinos, muitos inservíveis. Muitas vezes incapazes e inaptos em prover recursos e meios da própria subsistência. Existem pessoas que como frutos de uma educação frouxa, tolerante e no estilo tudo pode pelos pais, não conseguem funcionar no modo básico, aquele modo produtivo de dar provimento e sustentar a própria sobrevivência. São dependentes de terceiros: um parente, um pai ou mãe, avós e do Estado, de previdência social, de algum seguro de vida. Alguns tentam até ludibriar os seguros de vida e previdência social com falsos atestados médicos e fingimento de doença.
Nos chamados conhecimentos empíricos temos o papel e influência dos chamados decanos ou decanas nos variados grupos humanos. A começar pelo primeiro grupo social a determinar o destino do sujeito, a família, nas pessoas de uma mãe e do pai. O decano ou deão, era aquele líder mais idoso e experimentado a dirigir por exemplo uma turma de soldados ou iniciados religiosos (seminaristas) de 10 pessoas. O decano ou decana traz também a ideia de dezena ou dezenas de anos de vida e experiência. Imaginemos o colegiado de juízes, o supremo tribunal federal, o decano é aquele magistrado mais antigo. O que se mostra mais respeitável e ouvido pelos mais novos da corte. Temos aqui além da formação científica e técnica, a formação empiria, advinda da experiência, do fazer.
A função e diretriz de um decano ou decana em um grupo pode se estabelecer por uma vocação natural somada à experiência e expertise dessa pessoa líder entre as demais menos experientes e mais jovens. É o sujeito de mais coerência e mais inteligente e experimentado tanto pela vida como por uma formação técnica e profissional. Entretanto, não é raro de se ver que certas pessoas, mesmo bem mais idosa que os demais, não consegue exercer corretamente e eficazmente essa função. Trata-se de questão de personalidade, de caráter, se influenciável por pessoas e valores de outras sem experiência do grupo e que tenta impor seus gostos e preferências. Na gíria tem-se o termo capacho, um tipo de tapete de se pisar. Pessoa capacho é aquele toda cordata com tudo, subserviente, serviçal, boazinha, acolhedora, gentil. Do outro lado não faltam os exploradores da bondade e gentileza dessa pessoa capacho. Assim, existem a mãe boazinha, a sogra boazinha, o pai bonzinho, o avô bonzinho, até médico bonzinho! até este tipo: ah, mas o doutor, o meu doutor é tão bonzinho, me fornece receita de rivotril, de diazepan, de zolpidem, eu durmo que é uma beleza.
Fica como exemplo aquele filho ou filha, que no trato com pai e mãe, faz de tudo, com argumentos a seu modo de ver o mundo e impor os seus desejos materiais. Um iPhone novo todo ano, uma moto da marca tal e zero km, uma roupa de grife. Imagine de igual naipe aquela moça que nunca tendo comido mel, ao comer se lambuza. Aquela jovem que é o corolário de uma família de baixo nível cultural e escolar, aquela que se chafurda tal como a mãe nas futilidades e frivolidades de redes sociais. É um vazio somado a outro vazio. Temos assim, a chamada geração fosca, descartável, que pouco representa em termos de engrandecimento para si e para a família, um pai ou mãe que tanto fizeram em sua criação, engorda e formação como pessoa. “Que isto, filho. Por que você fez isto? Ah, pai, qual é a sua. Você que me ensinou, eu aprendi bem, você lembra? ”
João Dhória Vijle Lisboa