A FORJA FAMILIAR NA CONSTRUÇÃO DO CIDADÃO

Nada, mas nada mesmo é mais convincente do que a proposta de que o indivíduo é o resultado, o corolário ou produto acabado e formatado pela família. Notadamente, pela mãe em primeiríssimo lugar, e pelo pai. Todos os estudiosos sérios da Educação, todos os cientistas que militam e pesquisam sobre a formação do sujeito, da pessoa, falam em uníssono da influência determinante e marcante da família na personalidade e caráter da pessoa. Pessoinha que começa lá na fase oral da chupeta e mamadeira (educação de berço). Não se pode desconsiderar o fator genético. Mas, quando este é desfavorável na construção sadia do indivíduo, uma boa educação vai fazer essa diferença, essa compensação.

A expressão “forja humana” é empregada de forma metafórica e descreve processos de transformação pessoal e social. É a construção do caráter e dos valores morais do indivíduo, tornando esse sujeito um participante civilizado do micro e macrocosmo social (família, residência, condomínio, cidade, Estado e país). "Um país se faz com homens e livros" é uma célebre frase do escritor brasileiro Monteiro Lobato, destacando que o desenvolvimento nacional, a cultura e a identidade social dependem fundamentalmente da educação e do hábito da leitura. Essa máxima enfatiza a leitura para a formação crítica e intelectual do cidadão. Registre-se aqui o papel coadjuvante da escola no complemento da formação da criança/adolescente/jovem. O livro de Monteiro Lobato aqui é também uma metáfora (educação).

O que é em essência uma forja? Pode também ser nominada de forno, fornalha. Dispositivo artesanal ou industrial, que consiste no uso de fogo para moldar metais e construir ferramentas e outros utensílios de trabalho. Nesse processo entram o metal bruto, a pedra bruta e rústica. E ela vai tomando a forma desejada com o uso de ferramentas, a começar pelo martelo e outros instrumentos de formatação. Quem já viu o filme “A Forja – O Poder da Transformação, tem essa visão. Como se pode transformar uma pessoa, ou torná-la boa ou ruim, a depender de como essa criança>adolescente>jovem passa pela educação familiar. Há como que um espelhamento do padrão cultural, social e civilizatório de mãe e pai na construção integral da filha/filho.  

O espanhol Josemaría Escrivá (1902-1975), sacerdote fundador do Opus Dei, é o autor do livro Forja. A sua abordagem, em que pese ser espiritual, é de igual forma um simbolismo e lembrança dessa importância! Do quanto o ser humano pode ser construído através de uma meta educativa. O termo "forja humana" é frequentemente usado de forma metafórica para descrever processos de transformação pessoal, crescimento espiritual ou superação de desafios, em busca de uma cidadania participativa e produtiva.

A chamada educação de berço ou aqui denominada de Forja Familiar enfatizada por grandes pensadores na Filosofia da Ética por exemplo, de Aristóteles, com seu livreto  Ética a Nicômaco (seu filho); por contratualistas sociais como Rousseau e tantos outros cientistas da Educação como Paulo Freire; de Ilan Brenman, que disse :”Preserve os livros para seus filhos, a IA pode fugir de controle”(Brenman).  E de fato, podemos com Internet, redes sociais e IA, estarmos formando idiotas e abestalhados.

Sempre existiram mães e pais negligentes com a forja familiar, essa escola insubstituível na criação>engorda>instrução>formação ética e social do filho e filha. Todavia, em que pese essa estatística antiga, a inauguração dos chamados Direitos Humanos, de tantas conquistas de direitos sociais e liberdade; e mais marcante, a chegada da Internet, da telefonia móvel, de redes sociais (com efeitos antissociais); tem-se aí uma degradação dessa educação de nossa juventude. Filhos e filhas criados, engordados, tornados adultos; mas sem uma formação ética, social e educativa de qualidade.

Filhas e Filhos criados e crescidos nas chamadas diretrizes da boa forja familiar portarão sempre bons hábitos e bom caráter em tudo. São pessoas que mostrarão sempre boas maneiras nas relações sociais, no senso de simpatia e empatia pelo outro, pelo próximo, tendo o senso de que cada pessoa é meu irmão, indivíduo da mesma espécie, de nossa única raça, a raça humana. Esse animal superior, diferenciado e solidário. Quantos maus e péssimos exemplos vemos dessa má educação ou ausência de valores sociais e éticos imprimidos pelos pais aos filhos.  Filhos marmanjos e mulheronas que vivem na casa dos pais. Mas, que na distribuição de deveres e direitos nos cuidados mínimos de uma casa, são pessoas inúteis. Uns legítimos trastes e trambolhos que só querem privilégios e direitos.  Basta aquela filha e filho que na madureza da vida, solteiros, se passam como hóspedes de luxo. Comem do bom e do melhor, comidas frescas e prontas, nada de lavar louça, nada de manter quartos de dormir asseados, limpos e organizados. Porque mãe e empregada doméstica fazem tudo. Horrores de civilidade e ética familiar.

João Joaquim de Oliveira - médico e articulista do DM 

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