Como uma pessoa se forma nos sentimentos humanos, de simpatia, de generosidade, de empatia, de filantropia, de cuidar de outras pessoas, de solidariedade e cooperativismo em todas as dimensões e atividades da vida social, familiar e relações humanas? Estritamente nos valores de voluntarismo (vontade de ajudar outros) e empatia? Mais seletivamente, como um filho/filha pode ser para um pai ou mãe idosos, frágeis, doentes; como ele pode ser um cuidador zeloso, amoroso e responsável? Afetivamente e assistencialmente? Vejamos o que dizem os conhecimentos científicos.
No campo de algumas Ciências Humanas estuda-se muito de como se dá a construção integral da pessoa. A formação plena do indivíduo é muito bem compreendida pela Sociologia, pela Psicopedagogia e Psicologia Familiar. E quanto se trata dos desvios de comportamento entram a Psicologia Clínica e Psiquiatria. Como matéria central aqui, vamos considerar que ao nascer uma criança goza de saúde física e psíquica completamente normal. Conceito integral de Saúde. E não a simples ausência de doença mental, intelectual ou biológica.
Biologicamente e mentalmente, essa criança nasce saudável, curiosa, sedenta de tudo aprender. Entretanto, como um infante, isto é, nas primícias da vida não fala (daí o nome, infância, infante, não falante). Apenas ouve e tem os sentidos aguçados. Essa miniatura de gente, quer desvendar, quer que alguém (mãe, pai, babá) a ensine e diga nome das coisas, objetos, fenômenos à sua volta. E como essa pessoinha, dócil, afável, terna, submissa vai aprender. Vamos a essas etapas.
A Psicologia Positiva/Familiar ou Social e Psicopedagogia falam em uníssono. O primeiro princípio do aprendizado, ou do ensinamento (educação integral, ética e social) se dá pelo método cópia e cola. A cópia, se processa de a criança imitar, repetir e rivalizar com pai, com mãe e outros cuidadores; o que essa criança vê e ao que assiste. A cola é o mecanismo da criança introjetar, plasmar e incorporar em seu cérebro e memória esses gestos e comportamento dos adultos referenciais à sua volta. (Teoria de Jean Piaget 1896-1980). Tese do construtivismo, da Epistemologia Genética, da interação da criança com o meio e vem o aprendizado conforme a habilidade cognitiva das faixas etárias.
Este mecanismo do aprender por cópia e cola é determinante e permanente na formação da pessoa. Para o bem ou para o mal. As Ciências Humanas, não têm a exata explicação, do porquê de uma criança assimilar e aprender mais facilmente, muitos valores fora do padrão socialmente aceito e ético, dentro de sua mini sociedade família e relações sociais lato sensu. Vem então a última e de igual forma efetiva forma de formar uma pessoa, a partir da infância.
O aprendizado por ensinamento impositivo e treinamento. Aqui entram os processos pedagógicos de impor à criança os limites entre o bem e o mal, o que se deve fazer e não fazer. “Isto pode e isto não pode”. Essa pessoinha em formação carece dos chamados limites sociais. Nas Palavras do filósofo Aristóteles, Ética se aprende com ensino e treinamento, porque toda criança nasce aética e amoral. E esse treino se faz diariamente, em família, administrado pelos pais, cuidadoras (es). À uma criança não se passa a falsa e ridícula e nociva imagem de que ela é princesa ou príncipe e cheia de privilégios na casa dos pais. Esse ser em formação precisa de pessoas idôneas e aptas a ensinar.
Um mau exemplo. Uma criança, um filho ou filha que são criados e engordados com regalias, com mimos, com excesso de proteção e diferenciação em relação aos membros parentais à sua volta. Essa criança está sendo formatada e instruída a ser um adulto (a) inútil, fútil, improdutivo e contraético. Pais que assim procedem e fazem com os filhos, estão destinados a quando idosos e carentes de cuidados e voluntarismo, a serem abandonados e negligenciados por esses filhos. E estes filhos negligentes, sejamos justos, não têm tanta culpa. Afinal e ao termo da criação, esses filhos foram formados para não serem nada na vida. Candidatos a vagabundos e vagabundas e pesos nocivos, fardos negativos para a própria família. Às vezes, até para o Estado. Quantos são os indivíduos que fraudam a previdência social, o INSS, com atestado e laudos falsos (de médicos inescrupulosos) para se aposentar e receber benefícios, sem trabalhar.
João Dhoria Vijle - Crítico Social e Escritor