Nós, pessoas comuns, mas honestas; nós pessoas comuns, mas trabalhadoras e produtivas. Todos nós espantamos e nos surpreendemos com os fatos, feitos e façanhas em nosso país. Feitos e feitos produzidos por quem detêm a responsabilidade pelos rumos e destino da nação: governantes, congressistas, autoridades etc. Existe como que uma onda ou moda de normalização e naturalização de coisas e feitos que aos olhos de nós, citados acima, gente honesta e trabalhadora, não soam não parecem e de fato não são normais, em se tratando da organização de um Estado.
Vamos aqui nomear alguns desses sucessos e ocorrências que se fazem com a maior pacificação, a maior tranquilidade e naturalidade. A pandemia da covid 19, vai terminando. A economia, a saúde, as oportunidades de trabalho, a educação estão em frangalhos, em ruinas. E lá no Tribunal Superior Eleitoral – TSE, nos tribunais maiores de justiça, nenhuma autoridade se pronuncia ou faz alguma coisa contra os milhões de gastos em campanhas eleitorais. Diz-se melhor, tais descalabros de despesas são por esses órgãos aprovados. Imaginemos esta: um deputado. Para ser eleito, gasta 3 milhões, 5 milhões. E alguns nem eleitos são. E gasta-se o mesmo tantão de dinheiro público. Com autorização, repita-se, pelas cortes máximas de justiça.
Mais algumas proezas de dar engulhos e espanto. Um relatório do governo federal, para ver a segurança das urnas eletrônicas de votação, já exaustiva e comprovadamente provadas seguras e invioláveis. Esse relatório custou ao governo mais de 400 mil reais. Orçamento secreto? Por que secreto? Viagens de autoridades com uma caravana de gente assessora e acompanhantes. Precisa de tantas pessoas nessas comitivas? E os tribunais superiores e supremos nada inquirem, nada investigam, nada fazem.
Se um ET aqui aterrissasse e a ele fosse noticiado estes e outros fatos, esse hominoide ficaria extasiado com a sensação de que o Brasil se constitui de um povo nababesco e marajás. Pessoas ricas, opulentas e surfando em ouro e prata. De fato, algumas vivem como se estivessem em Sibaris ou Utopia de Thomas Morus, como um país abarrotado de petrodólares a exemplo de alguns do mundo árabe. Nesse rebanho de privilegiados estão aqueles (as) que pouco ou nada fazem pelo país, pelo espaço social onde vivem e são ricos. Ou porque herdaram fortunas ou porque acumulam riqueza de origem nada lícita, escusa e fraudulenta.
Esses tais e quais indivíduos ou elementos brasileiros formam as chamadas oligarquias do Brasil. São os políticos da alta hierarquia (alto clero), as autoridades de tribunais, de agências reguladoras, das casas legislativas, ministros dessas e aquelas atividades estatais. Consultados os resultados e trabalhos a eles atribuídos por dever do ofício, nada se acha de profícuo ou social. Eles até produzem, mas só para si mesmos porque recebem proventos, emolumentos, abonos, comissão, jetons, diárias, verbas indenizatórias, verbas de auxilio pra guarda-chuva, gravatas etc.
Existem então, essas duas categorias de brasucas e dois brasis. A classe daqueles (as) que em função pública, de governos e de justiça praticam todos os gêneros de ingerência e nada com eles acontece de reprimendas, de reparação ao Estado ou punição. Até porque alguns são imunizados contra. Há a tal imunidade parlamentar ou da função. Eles tudo podem.
A outra categoria de brasucas é justamente a das autoridades, agentes da lei e da justiça, juízes e magistrados, altos funcionários de órgãos superiores e supremos. Esses eminentes e excelentes agentes públicos quando muito proferem e votam belos, técnicos e eruditos discursos. E tudo fica como dantes no quartel de Abrantes.
E para concluir este breviário e modesto relato, temos ainda o grande rebanho, outro Brasil, constituído de milhões de pessoas. Na maioria, especialmente na vigência e pós pandemia da covid 19, mais pobres e desvalidos. São milhões. Analfabetos, desempregados, famintos, sem casa própria, sem estudar. São os sem dignidade e sem as condições básicas e de direito de assistência à saúde, abrigo e alimentação. Triste, muito triste!