Como por alguns já lembrados, nem tudo são flores nos funerais da Rainha. A Rainha Elizabeth II (1926-2022). Vários têm sido os ativistas (as) a lembrar a História da monarquia britânica, desde a existência do Império Britânico. A pergunta que faz é instigante e motivos de muita, de enorme reflexão! Será que as novas gerações, que, às vezes, não leem tanto a História Geral sabem como foram construídas as riquezas, o luxo, a pompa, o ouro, os diamantes, as pedras preciosas, toda a suntuosidade das famílias palacianas, de nobres e agregados da coroa britânica? Será? Porque na verdade são séculos de gerações de nobres, de palacianos, de paladinos, príncipes, princesas. São milhões anuais na manutenção de todo o aparelho monárquico.
Então vale o pequeno esforço da lembrança. A verdade crua e realista, sem rebuços e sem rodeios, é esta: grande parte da riqueza, do conforto, do luxo da realeza inglesa se baseou (referida riqueza) no extrativismo mineral, metalúrgico, de pedras preciosas, gemas e outras extrações dos territórios colonizados. Mais escravidão.
Como exemplos, colônias africanas (hoje emancipadas), a Índia e muitas possessões (ilhas do caribe como mostras). Foram séculos de dominação, de escravidão e muita exploração humana e natural, como já citadas. A Inglaterra, no seu domínio colonial, na era vitoriana, dominava a Índia (incluindo o Paquistão e Bangladesh), a Birmânia, a Malásia, a Austrália e Nova Zelândia e arquipélagos do Pacífico, o território africano entre o Cairo e o Cabo, detinha concessões na China, o Canadá e parte das Caraíbas.
Não se quer e não se pretende manchar a pessoa da rainha Elizabeth II, sua defesa e engajamento à democracia e a sua atuação como humanista e ativista de Direitos Humanos e filantropia. É inegável esse seu legado como democrata e atuante em prol de classes menos favorecidas, política e socialmente.
O saldo político e social de Elizabeth II é altamente saudável e positivo. O que não se pode deixar no limbo e no esquecimento da História foram os feitos e exploração do Reino Unindo/Império Britânico nas pessoas de seus mandatários e paladinos, por séculos e séculos.
Todavia, não se trata de exclusividade da Inglaterra. Muitos foram outros países, nações, impérios colonizadores que enriqueceram com a extração de montanhas de bens naturais e geológicos de suas colônias. Riquezas naturais e tráfico de escravos negros. Citem-se os casos de França, Bélgica, Espanha, Portugal.
Não precisa de ir muito longe em buscar exemplos de gentes que esbulharam países onde nasceram ou viveram e enriqueceram. No Brasil, o exemplo do empresário Eike Batista, com a exploração e extração de metais preciosos, pedras valiosas, ouro, diamante, petróleo. Tudo de Terras Brasis.
Nos EUA, o exemplo de Elon Musk, bilionário americano, nascido na África do Sul, cujo pai se enriqueceu com a extração de diamantes e metais preciosos. Elon Musk herdou essas fortunas. Hoje vive a viajar pelo espaço com seus projetos estratosféricos. Quais são seus projetos e institutos de apoio social? o que ele faz para os pobres africanos, habitantes de onde pai e filho extraíram tanta riqueza, tanta fortuna, luxo e exibição de patrimônio e dinheiro?
Então ficam esses adendos, parênteses, aspas e registros. A monarca Elizabeth II, agora falecida, nada fez ou produziu que cause alguma mácula ou desdouro à sua biografia. Entretanto, todo o seu patrimônio, em se falando da coroa real, da pompa monárquica britânica, os ouros, os diamantes, as joias de toda natureza e beleza foram cumuladas por séculos e séculos às custas de exploração de outros povos (colonizados), de escravos. O que ainda salva e alivia sua história e biografia (Elizabeth II) é sua atuação política e social, na vigência de seu reinado de 70 anos.