FILHOS DE BONS PEIXES

 João Joaquim 

 

 Ao estudar e me aprofundar na análise da psique humana eu fico aturdido por aprender o ínfimo. Todavia, esse poucochinho aprendido já me consola por entender ao menos os poucos inimigos, desafetos, admiradores e emuladores que vou enfeixando em minhas relações. Não são muitos, poucos de fato; assim o creio. A psicanálise traz essa precípua finalidade. Ela nos ajuda a compreender melhor a mente, os esgares, os sestros, os movimentos nativos e proativos de quem quer que seja. Como um dia proferiu Leonardo da Vinci "O conhecimento torna a alma jovem e diminui a amargura. Colhe, pois a sabedoria. Ela armazena a suavidade para o amanhã." Falou e disse com sapiência.

Se há uma inveja santa eu possuo uma que é a inveja que tenho de quem sabe mais do que eu. Com esse sentimento e fundamento é que sou um aficionado por saber um pouco mais do pouco que sei. Até nisso as luzes da psicanálise me ajudam a melhor compreender esse mundo. Nesse panorama, panóptico esse que me traz mais luzes. Aprecio interessante palestra de notável sociólogo que digressava sobre o porquê de uns serem assim, outros assados. E assim corria sua análise social, que no íntimo tinha muito de pedagógico e educacional. Afirmava então o substancioso e creditável cientista dos influxos familiares e sociológicos. A sociedade apresenta para nós com aqueles pais e genitores que podem ser moldes e diretrizes de cidadania e civilidade aos seus rebentos, aos seus adolescentes jovens e futuros adultos e cidadãos do mundo. Esses futuros membros e integrantes da tribo humana serão o reflexo especular (espelhos) dos pais, dos tutores, dos cuidadores e responsáveis desses indivíduos quando esses indivíduos estavam em formação. Pense comigo, continua o cientista social. “O animal humano deve ser moldado, educado e civilizado na idade dessa possibilidade. Na infância, adolescência, juventude”.

Tornado adulto, após os 20 anos de idade, a pessoa se torna pouco susceptível a receber ensinamentos, práticas morais e virtuosas de maneira que esses atributos fiquem permanentes, marcas duráveis de caráter.

Imagine-se um ambiente doméstico onde existe uma atmosfera com um chefe de família (pai ou mãe) com uma conduta moral padrão, de bom cabedal social e cultural. Mais que isso, que esses pais sejam não autocráticos, mas sobretudo com orientação civilizada, cultural e profissional aos filhos e tutorados. Um pai ou mão não tem que ser legal, há de ser, sim, leal e educador com os filhos em formação.

Em um modelo contrário. Imagine-se aquela casa onde, os filhos a vida toda tiveram um pai ausente, bebum, que nenhum bom exemplo deu . Se a mae era então uma pateta ou destrambelhada, aí então é que a receita para o desastre está completa. Concluiu o convincente sociólogo, no que não tenho elementos técnicos e/ou psicanalíticos para dissentir e ponto final. E atenção! Não é apenas esse pensador que assim prolatou com veemência sobre a construção do indivíduo, da família, do sujeito. Para quem lê e não apenas vê imagens, vai deparar com muitos outros cientistas de humanidades que vão na mesma linha e diretrizes de vida.

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