Analisemos bem refletidamente aquela classificação das pessoas de portadoras de necessidades especiais. Atentemos no núcleo da terminologia, necessidade. E é justamente dele que pretendo falar. Ter necessidade significa o quê? Traduz carência de alguma coisa, de um atributo, um bem, um objeto, uma função, uma habilidade.
No caso aqui analisado, estamos a referir àquelas pessoas que por uma deficiência genética ou provocação externa, adquirida, por uma doença, trauma etc; essa pessoa teve uma perda anatômica ou funcional.
Tomando alguns exemplos encontradiços, as síndromes (genéticas), as deficiências visuais, auditivas, cognitivas. As sequelas de um acidente vascular encefálico, as amputações, as incoordenações motoras etc.
Dignas de admiração e louvor são as iniciativas e estratégias de segmentos públicos e privados para inclusão social, intelectual e trabalhista desses grupos de pessoas. Como exemplos as cotas ou vagas de empregos destinados aos portadores de necessidades especiais.
E aqui entra nossa admiração a muitos desses indivíduos. Pelo interesse e dedicação feitos por eles para no exercício das funções laborativas a eles atribuídas, esses “carentes” de parte anatômica ou função ter o mesmo desempenho e resultados de muitas pessoas classificadas (ditas) normais, ou até com melhores resultados.
E mais, não apenas no trabalho. Muitos são os deficientes anatômicos ou funcionais que conseguem excelentes resultados em formação profissional, intelectual e científico, e artística. Basta relembrar dois exemplos da História: Francisco Antônio Lisboa ( O Aleijadinho) e Stephen Hawking (físico britânico). Esses 2 exemplos são emblemáticos em superação de limites físicos, funcionais, mas não em força de vontade, superação de déficits anatômicos.
Um outro grupo dos chamados portadores de necessidades especiais são os atletas paralímpicos. Fica até a grande pergunta. Onde está a deficiência desses atletas? Muitos são as façanhas desses e os resultados atingidos improváveis para pessoas e mesmo atletas normais. As paraolimpíadas são exemplos de como a força de vontade, o interesse, a dedicação são energias poderosas em romper as barreiras, o preconceito e as chamadas necessidades especiais. Esse grupo de pessoas transmite outras características: o amor pela vida, a vontade de viver, o otimismo, o bom humor.
Por fim, nós humanos, a sociedade, os segmentos privados e oficiais: todos deveríamos reavaliar referidas e eufemísticas classificações dos humanos. Basta comparar o quanto temos em nosso meio, em nosso entorno social e familiar pessoas absolutamente normais, com belas e robustas partes anatômicas, com QI superior, que até tiram diploma de Direito, Administração, Engenharia etc. Mas, que na vida produtiva, na ocupação laborativa, pensante, criativa e intelectual não fazem nada, são um nada em todas as searas existenciais.
A sociedade, as famílias, nosso entorno social, os bairros, as cidades estão cheias, infestadas desses classificados normais. São os belos e belas parentais, repimpados de músculos e adiposidades, que comem do bom e do melhor. Que gostam de um celular, de smartphone do ano e da moda, de redes sociais, de contatos virtuais, de amizades pela Internet. E volta e meia ou volta inteira, está ali, seguindo o estribilho de lé com lé e cré com cré, patati, patatá, existência estroina pura. Agora, trabalhar, estudar, evoluir e produzir o próprio sustento que é bom mesmo nada. São os normais carentes de vontade especial, a vontade de trabalhar, estudar, produzir, evoluir social, profissional e intelectualmente.