Chega a ser exótico, curioso e esquisito o quanto inconsequente, nocivo; conforme o contexto; a chamada livre vontade de açao do indivíduo. Em outros termos é também denominado livre-arbítrio, de que tão bem falava Santo Agostinho, de Hipona, grande filósofo e teólogo católico.
A liberdade de açao, muita vez, provoca acalorados debates. Uma das teses propostas é: nem todo livre-arbítrio é justo e ético. Quando se fala em liberdade de açao ou liberdade da vontade é substancial que façamos a seguinte pergunta: todo livre-arbítrio é lícito e honesto? Aqui nessa grande questão vale sublinhar que nem tudo que é liberdade e direito do indivíduo pode ser bom para o outro, não importa o momento dessa consequência.
Melhor que a teoria, os exemplos práticos, concretos, e encontradiços nas relações humanas. Tomemos o caso de um pai de família, que arrogando para si a autonomia do uso do livre-arbítrio e nos seus direitos se torna um alcoólatra contumaz e desbragado. Enquanto saudável e resistente, esse “chefe de família” quando muito trará muitos constrangimentos aos coabitantes pela sua constante embriaguez e comportamento antissocial, seu hálito etílico (bafo de onça), suas atitudes bizarras, sua marcha cambaleante e linguagem chula e de baixíssimo calão (palavrões).
Ou seja, enquanto em boa higidez física e mental seriam essas as consequências da livre vontade desse alcoólatra para as pessoas de seu convívio. Todavia, o livre-arbítrio desse pai de família, já mostra resultados e efeitos nada lícitos, nada virtuosos e nada éticos para terceiros que dele quer mais e mais distanciamento social. Porque o exercício de seu livre-arbítrio já traz vexame, constrangimento e dor moral para aqueles familiares do convívio mais íntimo (cônjuge, filhos etc.).
Nesse clima de alternância, sobriedade e embriaguez, a mulher, os filhos desse alcoólatra e embriagado vão tolerando o ébrio no seu domicílio, no território de que ele, bebum considera mandante e imperialista. É onde pode tudo no exercício de sua livre vontade, instintos e desejos, pela simples vontade e desejos. Eles se justificam por si. A vida anda, a existência, nesse contexto, ficou apenas no existir, não houve essência. Vida é devir.
E eu déjà vu. A anatomia se intumesce, as energias vão se esvaindo, os reflexos e mecanismo defensivos não se remoçam. Até ao revés. A senectude física e mental vai se consolidando. E os circunstantes vão assistindo à decrepitude global. A moral e a social de há muito já caducaram, cadentes, evanescentes, idiotizadas. Se quer por princípios ancestrais se valem do expediente legal e humanitário familiar da interdição. O físico, a par da honra que cambaleia vai se emurchecendo. Os acidentes se anunciam. Pode ser o público, o doméstico, o financeiro, porque nessa ocasião não faltará algum espertalhão para passar alguma rasteira e a régua esperta no primeiro negócio, de algum escambo, alguma permuta.
E esse negócio fatalmente ocorrerá. O cognitivo do alcoólatra já não é o mesmo. A análise crítica para os íntimos e arrimados não entra em consideração, porque os efeitos etílicos nos valores críticos já não existem de há muito tempo. Acidentes ocorrem de toda ordem para os amantes etílicos. O físico, o vascular, o ortopédico, o de aptidão social e intelectual. Porque o financeira já se foi para o beleleu.
Corolários e dividendos: dependência absoluta, precariedade, imobilidade, fragilidade. Enfim; abstinência compulsória, invalidez permanente. “Déjà Vu. Foram-se os prazeres, o livre-arbítrio, a liberdade da vontade, do agir, os regalos antes não criticáveis, sem censura, as bebedeiras. Agora sobraram sacrifício, dissabores laborativos, cansativos, muito trabalho pelo trambolho estabelecido aos cuidadores e parentais que guardam ainda, uma reserva de generosidade e amor filial e só. Adeus escrúpulos, adeus regalos e orgias, e prazeres no gozo de livre-arbítrio. E só.