AUTONOMIA E INDEPENDÊNCIA
A autonomia e a liberdade da pessoa humana são atributos que devem ser ensinados e treinados desde a tenra infância. É o mesmo princípio da ética e da moral (segundo Aristóteles) que dever ser ensinadas e praticadas para que sejam introjetadas na pessoa e componham a sua organização ética e social. Nenhuma criança nasce ética ou moralista, ela se torna formada e treinada nesses atributos pelos ensinamentos e exercício dessas virtudes pelos pais, pelos cuidadores, pelas babás, tutores e escolas.
Nesse campo de compreensão basta buscar a comparação da mente, da memória e cérebro de um recém-nascido com uma tábula rasa ou lousa em branco. Todos os seres humanos nascem analfabetos, sem nenhuma informação intelectual. A partir de seu contato sensorial com o mundo, com os familiares e meio social é que essa criança vai gradativamente inscrevendo, gravando as informações recebidas em sua memória e intelecto; princípio da tábula rasa ou lousa em branco.
Os atributos da autonomia e liberdade da pessoa necessitam de ensinamento, de estímulo e aprendizado. As primícias da liberdade humana se dão na infância. É quando a criança no ato de se locomover, apoiada nos pés e mãos, ou no gesto de engatinhar. É o deslocar como um gatinho até se colocar de pé, cambalear e dar os primeiros passos.
Estão nessas fases da infância os exemplos bem robustos e concretos de que a autonomia e a liberdade precisam de incentivo, de ensinamentos e estímulos. A autonomia e a liberdade do sujeito serão mais rápidas e eficazes quanto mais enérgicos e rígidos forem os ensinamentos.
Esse contexto e belos exemplos podem também ser buscados na natureza. Para tanto sugere apenas observar o que fazem muitos animais com suas crias e filhotes. Uma cadela, uma vaca, uma égua, uma ovelha. Melhor modelo de ensino da autonomia e liberdade pode-se registrar no comportamento da águia com o seu filhote. Ela começa por incentivar o filhote a exercitar as asas, a fazer movimentos simulando o voo, e vai e vai. Chega um momento em que a mãe águia expulsa e atira o filhote do ninho. É o incentivo e treino final, e ele é jogado pelos ares, em voo esplêndido para a sua definitiva autonomia e independência.
Todos esses comparativos foram na intenção de se chegar ao exemplo humano, nos atributos ou conquista de autonomia e liberdade. Esses atributos têm componentes instintivos, traços na constituição congênita da pessoa. Mas, ela se faz de forma plena e eficaz com o incentivo dos educadores protagonistas que são os pais; as principais e definitivas referências na formação, no caráter e autonomia do sujeito.
A criança, o adolescente, o jovem necessitam da pedagogia da autonomia. Trata-se de uma estratégia de treinamento, de prática e educação nesses atributos. Imaginemos como caso social aquele jovem ou moça que sempre teve tudo de que precisa às mãos: comida pronta, roupa lavada, produtos de higiene, mãe ou empregada doméstica para tudo, mãe ou pai que leva para tudo quanto é lugar, escola, trabalho, baladas etc. Nada de esforço, nada de sofrimento, nada de prática laboriosa, nenhuma responsabilidade. Todas as necessidades e desejos de mãos beijadas. São os filhos e filhas protegidos de qualquer frustração. Eles vivem às expensas e às escusas do clã familiar.
Ora! Esse jovem ou moça está sendo colocado numa condição emocional ou social de absoluta inaptidão para os embates e desafios os mais ordinários da vida. Está se formando uma pessoa extremamente dependente para as obrigações básicas de sobrevivência, como o zelo e cuidados de uma casa, um lar, uma carreira profissional rentável e produtiva para si e para a família. Há indivíduos que foram tão mal educados e formados para a vida que não produz os itens comuns para a própria sobrevivência.
Até para uma viagem ou viver a sós, essa pessoa, esse jovem ou moça acha-se incapaz e desqualificada. Em poucas palavras, faltaram a essas pessoas ensinamentos, formação ética e social, vindo de quem? Dos pais, da família que por influência hereditária social não legaram às suas crias as estratégias de uma vida com autonomia e liberdade. Não aprenderam as lições da mãe águia com suas crias, que aliás, nunca falham. Já viram algum águia adulta vivendo às expensas de outra águia?