A MEDICINA FRANCAMENTE AVILTADA
Não é sem razão o que expressa aquele antigo provérbio: de médico e louco todo mundo tem um pouco. Penso que nunca na História da Medicina, esta profissão milenar foi tão achincalhada e aviltada como está ocorrendo na vigência desta pandemia da covid 19. Nunca informações tão abstrusas e infundadas ganharam ares de verdadeiras e científicas. E aqui vêm as explicações, as razões de tanta asneira e insanidade
.A primeira razão vem da comunicação feita por autoridades, aquelas que deveriam ter o compromisso com a verdade, com as Ciências e com a saúde pública. E muitos mandatários da Nação, chefes de Estado e agentes públicos de alto coturno e tamanco não têm.
E nesse rol e caudal de besteirol vêm outros impulsionadores. Entre esses a Internet, a imprensa de baixa qualidade e sem compromisso com a saúde pública, Redes Sociais, a influência dos negacionistas das vacinas e das Ciências, os charlatões e curandeiros. Os falsos profetas da saúde pública e privada etc., etc.
Por fim, escandalizem quem quiser e assim se sentir, mas existe uma classe profissional responsável pela desvalorização e desqualificação da Medicina, a classe dos médicos. E vêm as ponderações do porquê.
Em nome da justiça e correção não se pode colocar todos os médicos no rol dos detratores e desqualificadores da profissão. Todavia, são muitos aqueles e aquelas (médicos e médicas) que o fazem, consciente ou involuntariamente. Dolosa ou culposamente. Como ficou provado no emprego dos chamados kit anti covid 19. E o exagero injustificado do quanto se faz de exames sem claras indicações clínicas? Os laboratórios estão abarrotados de resultados e laudos de exames normais, que os pacientes e beneficiários, se quer buscam. Basta que eles melhorem e esquecem os exames solicitados, a maioria de forma injustificada e sem necessidade.
Existem estudos e estatísticas das inúmeras condutas médicas que atestam essa triste realidade. A mais robusta e consistente, refere-se ao quantum de exames solicitados, sem nenhum base técnica ou cientifica que o sustente. Há uma gigantesca lista de exames médicos solicitados e pagos pelos pelo SUS e planos de saúde, sem justificativa. Na esteira de exames feitos injustificadamente, há muitos outros procedimentos sem critérios. Cirurgias estéticas e embelezadoras como modelos.
Diante de tantos exames assinados pelos médicos, fica a parecer que o médico vem se tornando um mero despachante em saúde, um contratado a satisfazer o cliente, pura e simplesmente.
Não é incomum o cliente (assim chamemos muitos pacientes) ir a uma consulta já com uma lista de exames a ser transcritos e assinados pelo médico; a simplesmente receitar muitos medicamentos por sugestão do consulente porque ele leu na Internet, algum parente ou amigo sugeriu etc. E assim, muitos outros exames de imagens, dosagens de uma lista enorme de substâncias, de hormônios, sem as mínimas indicações clínicas, visto não ter o beneficiado nenhum dado clínico que o justifique.
Exame complementar já traz expresso o nome. Ele é complemento e não fundamento da prática profissional. Quem deve saber que exame e sua real indicação seria o médico que assiste o paciente. A solicitação exagerada e sem critérios de exames de toda natureza vem se constituindo em um expediente antiético e de clássico charlatanismo. Será que um indivíduo jovem, robusto, corado, sem queixas clinicas que se alimento de forma até exagerada, necessitaria de dosagem de vitaminas do complexo b, vitamina c, proteínas, zinco e outros minerais? Será? Qual a chance de alguma dessa dosagem dar alterada? Quase zero!
A emissão de atestados falsos e graciosos se revela em outra prática de repetidas infrações éticas e legais. A concessão desse documento falso se mostra em falsidade ideológica, porque se certifica algo falso, inverídico, passível até de processo ético e profissional e penal. Cabe, assim, a cada profissional, essa observância, em nome da própria dignidade e da boa fama e credibilidade da Medicina, e da categoria como um todo.
Por fim, uma demonstração do preparo ético, técnico e científico do médico está na sua prescrição, na sua indicação terapêutica. Qualquer que seja, farmacológica, fisiátrica, cirúrgica etc. Imagine, como caso concreto, um médico que após todas as evidências científicas, ainda prescreve kit para covid 19, onde se incluem antibióticos, vermífugos e outros insumos farmacêuticos ou químicos. Soa bizarra tal prescrição, mas ainda existem médicos que acreditam e fazem o seu cliente também acreditar em tais panaceias e emplastos. Tudo isso em plena era digital.