NOSSA EDUCAÇÃO NUMA ESPIRAL MELANCÓLICA E DEPRIMENTE

 Existem certas realidades e fatos que nelas acreditamos porque estamos no Brasil. E essas coisas e ocorrências se sucedem justamente aqui e não em outros países. São como jabuticabas, futebol, lixo em vias públicas, xingamentos entre homens de Estado etc.  Igual só acontece aqui no Brasil.

            Como servidor de Instituição pública de ensino sempre apreciei dialogar e trocar ideias com aqueles alunos recém ingressos nas universidades e aqueles egressos ou em pós-graduação, estágios de treinamento, residentes médicos e outros mestrandos e doutorandos. Tais encontros, diálogos, intercâmbio de informação servem, mais do que informação de imprensa e noticiários, em mostrar e documentar a quantas anda a qualidade da formação educacional do brasil. Pode ficar brasil em minúscula mesmo, cada vez mais apequenado. E aqui então surgem as surpresas, o nosso espanto e a quase não creditação no que relatam esses estudantes, esses mestrandos e doutorandos.

            As surpresas. Há alguns cursos universitários em que sobram vagas. Áreas de humanas, por exemplo. Há mais vagas do que candidatos. Instigante, não? Parece que a retórica de certo ex mandatário do país vem pegando. Disse esse ex-chefe de Estado que estudar muito não é importante. E parece que tornou em mantra que parece nunca ter pegado tanto. Evidente que a qualidade técnica e escolar de nossos jovens tem muitas causas. familiar, individual, meio social de convívio, políticas públicas de ensino etc., etc.

            E não param por aqui os sinais e sintomas da degradação e aviltamento da formação universitária. Qualidade do ensino superior que tem raízes, obviamente, no ensino fundamental, primeiro e segundo graus. Umas das causas? Trata-se aqui de uma das conquistas do Instituto dos Direitos Humanos. A nova pedagogia dos direitos humanos recomenda que é proibida a reprovação escolar. Não importam as notas alcançadas pelo aluno. Estando matriculado, teve algumas faltas e não obteve a nota média mínima de 5 (50%), dá-se um jeitinho. Ele passa para a série seguinte. Repetência de algum ano escolar passou a ser considerada discriminação escolar, até bullying. Olha as ameaças que correm escolas e professoras.

            E continuam as estupefações do que se sabe sob os qualificativos, o conteúdo cultural, técnico e científico dos recém ingressos e egressos universitários. Aconteceu em uma conceituada e bem avaliada universidade federal pública. Aconteceu em alguns cursos de residência. Áreas de saúde. Alguns desses de especialização com poucas vagas: 4, 5, 6 vagas, em cada aérea de treinamento. A qualificação e seleção dos candidatos se deram em 2 fases, uma prova escrita, com nota mínima de 6 (60%) para classificar para a última fase, prática e oral, com arguições e entrevistas. Cada uma dessas residências tinha entre 50 e 100 candidatos inscritos. O espanto é que em alguns desses cursos, nenhum candidato obteve o mínimo exigido, nota 6.

            Resumo desta questão em foco: um exame (prova) de suficiência para um curso de aprimoramento na formação do candidato. Que sejam Medicina, Odontologia, Enfermagem, Psicologia. Há um edital prévio com uma lista dos assuntos que serão exigidos nas provas.  O aluno terá 3 meses, 6 meses para um aprimoramento e se tornar conhecedor de apenas aqueles temas listados no edital. Exige-se como mínimo, 60% de aproveitamento. E a maioria não consegue essa nota 6.

 Sinceridade! Do fundo da alma! É melancólica essa notícia, essa realidade. Chega a dar engasgo e engulho em pessoas sensatas! Emblemático, de valores, de um significado do cultural e educacional, decadentes. Estamos cada ano, entrando entre os piores em qualidade na Educação e Cultura. Melancólico e deprimente.

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