Existe uma vulgarização e banalização reinantes na vida brasileira. Esta averiguação é fácil de se fazer. Basta um passeio pelos veículos de comunicação. Os mais populares em voga são as redes de televisão, e.... adivinhem outras no top 10 de visualização? Isto mesmo, a internet e as planetárias redes sociais, que para muitos já encerram só vulgaridades.
A internet e suas correlatas redes sociais (a que os mais velhos chamam de antissociais) se tornaram nos meios de comunicação dos mais acessíveis e democráticos. Tanto faz o usuário ser pessoa abastada como aquela sem eira nem beira como um joão-ninguém. Ambos consultam a internet e redes sociais com a mesma rapidez e qualidade. O mundo virtual é de todos, democraticamente, sem discriminação, sem bullying. Tanto assim que criaram em muitos países o marco da internet, questão de regras, legislação. Todavia, não houve necessidade de criar a Declaração Universal dos Direitos de Acesso à Internet, à semelhança da Declaração Universal dos Direitos Humanos (ONU 1948).
Vulgaridades e banalidades, eis o que temos em profusão em todos os cenários da vida brasileira. E sem ideologias, sai governante entra governante e tudo continua como dantes no quartel de Abrantes. Nada escapa a essas tendências. Na estética, na ética, nos costumes, nas relações humanas, nas terapias de rejuvenescimento, nas cirurgias plásticas de reconstituição da virgindade, em concursos de genitália mais bonita. Existem mercado e mercadores para tudo, personal para tudo quanto é atividade. Para cuidadores de cachorros, para organização do guarda-roupa e guarda-chuvas, até de personals maridos. Acreditem!
E justiça seja feita, se há o comércio e os comerciantes para tais gêneros é porque lá na ponta existem os consumidores, os apreciadores e usuários de tais ofertas. A banalização atinge setores sociais, civis, políticos e culturais que choca e estarrece as pessoas mais sérias e mais exigentes.
Tome algumas searas da vida brasileira que deveriam ser levadas mais a sério. A educação e cultura das pessoas estão em decadência. Basta consultar os indicadores e testes de aproveitamento de aprendizagem (Pisa, prova Brasil, Enade). Estamos em nítida involução cultural, em formação técnica e profissional.
Algumas religiões, católicas e protestantes, retomaram práticas da idade média, com venda de indulgências. Só mudaram o nome. Dízimos, ofertas, doações de salários, de bens pessoais. Os pastores e operários das igrejas (que chamam de obreiros) pedem até os auxílios dos pobres concedidos pelo Governo. Tudo como passaporte para a salvação da alma. Houve uma igreja famosa por aí que bem instalada em Angola, desviava e lavava dinheiro, com remessas do que arrecadava dos fieis para outros países e para o Brasil. Em tempo, esses pastores e falsos apóstolos foram expulsos daquele País.
E para finalizar essa banalização como quintessência da degradação administrativa e governamental no Brasil. Leiam essa: Diz nossa constituição que o Estado é laico. Não se mistura religião com administração pública. Estão os nossos mandatários mudando esse parágrafo da Carta Magna. A indicação de André Mendonça para o STF teve explícita, pública e ostensiva participação de segmentos religiosos. E teve mais: sua aprovação, pelo senado federal, para a suprema corte foi comemorada por uma torcida de evangélicos, como se fosse um gol de time de futebol, um gol da seleção em copa do mundo. Acreditem. Basta buscar no YouTube. Tem havido essa mistura: Política + religião + rachadinhas + igrejas. Etc, etc, etc.