FALTA PROCLAMAR A REPÚBLICA

 E a Proclamação da República Brasileira? Quando se analisa isentamente a realidade social e política de nossos tempos fica a sensação de que ainda não se proclamou a República. Nós brasileiros e o país somos um atraso de várias naturezas. Até que culturalmente, na música, nos esportes, na literatura evoluímos muito. Mas, em muitas estruturas continuamos como no Brasil Imperial. Existem certas estruturas e organizações que sofreram apenas uma estética disfarçada de superação ou eliminação. Mas, não foram abolidas de todo, como veremos.

Tome-se o exemplo da escravidão. O Brasil escravocrata. Mudou o que? Estruturalmente e na prática houve uma maquiagem, uma nova roupagem. Os cativos foram libertos e alforriados. Todavia, quais foram os projetos aprovados para os ex escravos? Que direitos a eles foram conferidos? Que garantias aos negros e ex cativos foram aprovadas. Como exemplos: alfabetização, a posse de terras para cultivo, moradia e agricultura, escolas para os filhos, assistência social etc.

A questão milenar e infindável da discriminação étnico e racial. Quando será proclamada a eliminação desse abominável sentimento de superioridade de muitas gentes e pessoas? Justiça seja feita, não se trata de exclusividade da sociedade brasileira, mas do ser humano. São aqueles sujeitos para quem basta adquirir um pouco mais de posse e “status social”. E eles então adquirem também essa sensação de ser melhor e maior do que os outros indivíduos de seu entorno social e profissional. Como exemplo as carteiradas, a expressão de “sabem com quem está falando”. É o eterno sentimento embrionário de todos, o de domínio (dominação) e influência sobre o outro. Um exemplo é cada governante. Todos trazem o fermento do despotismo e da tirania. Quantos não gostariam de ser um capitão desse e outro grupo, um maioral, um coronel, um temido chefe! Talvez o planeta inteiro. Como na obra O Príncipe de Maquiavel: “o bom para o príncipe ou soberano seria este ser temido e amado. Se não os dois sentimentos ao menos temido. Nunca odiado”.

No tocante à escravidão. Houve a abolição no decreto, na solenidade e na retórica. Compare como viviam os escravos do Brasil colônia e Império e as levas de pessoas que trabalham em tarefas e funções análogas às dos cativos de antigamente: infraestruturas, construção civil, lavoura, limpeza e outras atividades braçais. São milhões de pessoas. Não contando os milhões de informais e desempregados. E o analfabetismo? Melhorou percentualmente. De 90% do Brasil Império para cerca de 15% no século XXI. Século da pandemia da Covid-19, que agravou esses índices de misérias, iguais ou piores do que o Brasil escravocrata.

Analfabetismo, triste constatação.  São cifras ainda estarrecedoras. Se soma os iletrados absolutos com os funcionais, chega-se à metade da população. Um vexame para quem se diz republicano, em se tratando de cada governante, de cada homem de Estado, de cada membro do Parlamento Brasileiro. Para esses representantes do povo, fica a sensação de que ser esclarecido, crítico cultural e bem escolado, não é bom negócio. O chamado voto ignorante e trocado por favores, bolsas misérias é mais garantido de perenidade.

E para concluir chegamos naquela estrutura colonial e imperial dos latifundiários. São os ricos e opulentos de nosso país. Os burgueses que mandam e desmandam nos destinos da nação. No congresso, existe até a chamada estrutura colonial e imperial por eles criada, a bancada ruralista. Esses ricos, poderosos e privilegiados não pertencem aos brasileiros citados no artigo 5° da Constituição. Eles são muito mais iguais e mais poderosos do que o resto dos brasileiros. Enfim, falta proclamar a República Brasileira. Continuamos na espera.

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