Uma das maiores vocações, certamente das mais nobres da pessoa humana, é a vocação do trabalho. Quando referimos a trabalho trata-se de um verbete polissêmico, muitos significados. Nada de imaginar somente aquela atividade em que se despende força motora, esforço físico, empenho corporal. Basta pensar naquelas tarefas mentais, a criação artista abstrata, o pensamento lógico, a elaboração intelectual etc.
A vocação ao trabalho traz uma influência congênita, nascida com o indivíduo, mas é provado empírica e cientificamente que cresce e se fortalece com a educação. Trata-se na verdade de um processo de aprendizagem ensinado, treinado no meio familiar e escolar. O adolescente, o jovem devem receber essa orientação pelos pais e cuidadores e educadores no ensino fundamental. Ao nascer a criança não traz nenhuma informação prévia de nada, de cultura, de letras e trabalho. O trabalho e suas diretrizes devem ou deveriam constar da grade escolar do adolescente.
Cada etapa ensinada deve ser compatível com a idade do aluno em consonância com suas habilidades cognitivas e intelectuais e motoras. Etapas essas em paralelo e similares às outras matérias técnicas e cientificas. Nessas etapas de ensino e práticas laborativas os fundamentos iniciam pelas atividades domésticas. As atividades nas tarefas do lar se comparam àquelas na responsabilidade de uma empresa. Essa mentalização e essa responsabilidade são iniciativas que deveriam constar do ensino escolar e exigidas como tarefas de casa. Referidos quesitos necessitam, obviamente, da participação ativa das famílias, dos pais e/ou responsáveis e cuidadores dos adolescentes e jovens.
Vivemos uma época em que se constata muita omissão e mesmo ausência na chamada pedagogia do trabalho. Disciplinas relativas ao trabalho podem ser administradas a partir dos 10 anos com treinamento e prática nos laboratórios das escolas e como deveres de casa com orientações das famílias; da importância desses ensinamentos em casa. Existem poucos, vagos exemplos de escolas com esses expedientes pedagógicos.
Há igualmente órgãos públicos e iniciativas privadas que oferecem oportunidades de trabalho a jovens e adolescentes. São os chamados jovens aprendizes. Para tanto, para esses menores aprendizes há os critérios como jornadas reduzidas (2h-4h) de treinamento e a obediência e respeito à dignidade e orientação a esses menores de idade.
O que se pode testemunhar em muitas famílias no Brasil e no mundo é de se lamentar quando a questão se revela no ensino dos pais sobre tarefas caseiras de trabalho e participação dos filhos nos hábitos de cuidados, responsabilidade e disciplinas com os utensílios domésticos, com a higiene, com os objetos de uso pessoal e coletivo.
Temos nesses cenários e nessas famílias os filhos e filhas criados e tratados como se hóspedes e clientes fossem de um hotel, de uma hospedagem de luxo. As mães, as funcionárias domésticas no papel de mordomas e escravas domésticas, camareiras e serviçais pessoais dos filhos. Filhos que são tratados como os príncipes e princesas das famílias. Eles sequer arrumam as camas ou lavam os sanitários de que servem. Vergonhoso e sem esperança o futuro desses filhos e filhas como pessoas civilizadas e cidadãos participativos. São os eternos ociosos, dependentes das famílias, que nada produze. Os ditos nem nem. Nem trabalham, nem estudam. São uns nada como produtivos!