OCUPAÇÕES DIÁRIAS DAS PESSOAS


Eu início este artigo por ruma provocação a quem me lê e aprecia meu estilo, minha análise das coisas, da sociedade, das pessoas, da política, do que rola nos noticiários. E não podia escapar, das redes sociais. Redes sociais! A que alguns críticos sérios e ilustres já chamaram de antissociais e até de infernet (Millôr Fernandes) e Legião de idiotas (Umberto Eco).

Minha provocação é esta: já observaram, do que anda ocupada grande parcela da humanidade? A maioria das pessoas para ser bem coerente e justo? Para tanto basta observar essas citadas janelas pelas quais visualizamos o mundo, os segmentos sociais, as pessoas, enfim. Se há uma grande conquista da humanidade no fim do século XX foi esta: a comunicação instantânea e em tempo real entre as pessoas. Só de Marte ou do Sol que uma mensagem demora um pouco mais, cerca de 8 minutos. No mais, de qualquer ponto do planeta, as imagens, os sons nos chegam com atraso de poucos segundos. Não é sem razão que a Internet é considerada a 8ª maravilha do mundo.

Então façamos aqui esse exercício mental, essa digressão turística sobre essa relevante questão. De que andam se ocupando as pessoas no mundo. Em sociedade, nas cidades, em seus meios sociais, em casa, nos condomínios. Com domínio! Emblemático termo! Juntos, vamos imaginar a agenda diária de cada pessoa em seus domicílios. A esta análise.

Antes de deitar, a maioria deixa o celular no silencioso. Ao acordar conferência das notificações e mensagens das redes sociais: facebook e whatsapp. E então começa-se por este instrumento vital. O smartphone foi como que incorporado à anatomia das pessoas. Na hipótese menos veraz, ele se tornou como uma prótese, sem a qual as pessoas não sentem relaxadas e seguras. Na falta temos então os transtornos psíquicos de nome monofobia e fomofobia (vide DSM-V na Internet).

As redes sociais são como janelas ou lupas pelos quais as pessoas veem umas às outras. Estas então constituem a 1ª grande ocupação das pessoas: conferir a vida social das outras pessoas conectadas às RS. Daí o princípio prevalente e vigente: “Ser ou existir é ser percebido”. Eu sou visto e percebido, logo eu existo: eis a principal utilidade da Internet, do celular e das RS. E assim, através dessas modernas e digitais lupas ou janelas sociais pode-se documentar e comprovar as outras ocupações e entretenimento de grande parcela da humanidade. Ver-se e ser visto pelos contatos sociais, os amigos, internautas. Exibições de vaidade e narcisismo. Como se dá o mostruário desses valores e atributos? Através do resultado dos tratamentos estéticos e cirurgias plásticas. Temos nesses quesitos a mudança da anatomia corporal, os enxertos, os botox, os silicones, os cortes e implantes, os alisamentos de peles e rugas faciais. A exibição dessas vaidades e culto ao corpo e aparências se dá através de fotos, imagens e vídeos. “Ser é ser percebido”. De preferência com as vestes mais sumárias e nudes.

Em continuidade, com o momento de tantas outras tarefas temos as postagens (posts) das viagens, das comidas ingeridas, das festas, do nascimento dos filhos, dos abdomes gravídicos, das libações etílicas coletivas, das roupas mais novas, dos penteados, dos batons, das cores, dos aniversários, dos namoros.

Ah! e não fica de fora, a dedicação das pessoas aos seus animais de estimação. Esta também vem se constituindo em um grande projeto ocupacional das pessoas. Cuidar dos pets, os que cuidam. Porque há gente que convive na junção dos irracionais de estimação. Comem com os bichos, dormem com os bichos, beijam os bichos. E então surgem os riscos dessa perigosa mistura. Nós e eles deveriam ser tipo lé com lé cré com cré. Mas, agora mudou. Muitos escravizadores dos bichos, chamam-nos de seus filhos. Questões consuetudinárias. Estão em agendas e nos ordinários do dia a dia.

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