Não são poucas as pessoas que rendem loas e louvores à modernidade. Loas e louvores aos avanços científicos, tecnológicos, e agora então, elogios em profusão à internet e suas respectivas redes sociais e tudo quanto possa imaginar de plataformas digitais, de mídias, aplicativos virtuais e muitas outras utilidades da chamada tecnologia da informação. Viva a internet, vivam as redes sociais
Quando lembramos e louvamos o progresso e os avanços científicos e tecnológicos necessário se faz lembrarmos das relações humanas nas mais variadas esferas da vida e dos segmentos sociais. Como exemplos: as relações profissionais, as relações culturais, as relações na formação profissional, o convívio conjugal, a relação pais e filhos, o compartilhamento e observância dos valores e preceitos éticos e morais nas interações humanas de toda natureza etc.Como de todos sabido a par de tantos ganhos e conquistas das ciências e da tecnologia, a sociedade, as pessoas, de forma coletiva ou individual alcançaram e obtiveram expressivos direitos e garantias. Direitos e conquistas que tiveram como marco importante, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, editada com a criação da ONU em 1948, após a II guerra. Em que pese a persistência de muitos países com regimes tirânicos e violações de Direitos Humanos, muitos foram os regimes que caíram com a conscientização e participação das pessoas que exigiram mudanças. Rússia, China e Brasil como exemplos. Basta ter como exemplos as grandes passeatas mundo afora, a primavera árabe, etc.
O que se pretende neste sumário artigo é trazer à baila o impacto, os efeitos, as mudanças dos progressos científicos e tecnológicos nas relações familiares. Especialmente em se tratando das relações pais e filhos. A questão central é esta: como essas referidas e louvadas conquistas afetaram as relações dos pais com os seus filhos? Com ênfase aqui no processo educacional, no chamado pátrio poder, na hierarquia genética e social na construção da família, enfim, nessa convivência.
Primeiro, uma consideração histórica. Tomemos como divisor de época a inauguração da Internet. Temos então duas eras ou épocas: pré e pós internet. Como se dava a construção da família, nessa hierarquia na era ou tempos pré Internet? A cultura e relação dos filhos com os pais era de os filhos se dedicar aos pais, quando esses envelheciam, de se dispensar a eles a necessária proteção, os cuidados na doença, o respeito e quase veneração, pela importância que esse membro parental exercia e ainda exerce, no significado do pátrio poder (figuras do pai e da mãe). Essa extremada dedicação dos filhos aos pais e outros parentes mais frágeis e idosos é própria, é muito praticada e presente, por exemplo, na sociedade japonesa. Uma cultura e costume que não mudaram com os avanços das ciências e tecnologias. A sociedade japonesa preserva essa admirável tradição e cultura.
E assim se constata esse mesmo comportamento nas relações de filhos com os pais em muitas outras sociedades, outros povos, outras nações.
Relembrando ainda as conquistas coletivas e individuais dos direitos humanos. Nunca se louvou e exaltou tanto os avanços e aprimoramento do instituto dos direitos humanos. Entre essas conquistas, os novos arranjos familiares e conjugais, a união homoafetiva, o Estatuto do idoso, o Estatuto da criança e adolescente, as novas diretrizes da educação, a proteção da criança e adolescente, a proibição da reprovação escolar. A criação da Lei da palmada, ou lei proibitiva da palmada. Estabelece esta lei que não se pode aplicar corretivas físicos na educação dos filhos de qualquer idade. Nenhum castigo físico. Daí o simbólico da palmada. “É proibido qualquer forma de constrangimento ou punição aos filhos”.
Uma outra questão de nossa intitulada hipermodernidade é o uso irrestrito, imoderado, sem controle de qualidade da Internet, das mídias e redes sociais.
As crianças ainda na fase da chupeta já têm acesso aos games e celulares. O que se constata de mudanças com tantos avanços, Internet, redes sociais e celulares é que os pais pós Internet vem criando e educando os filhos não para ser esses filhos os cuidadores e protetores dos pais. De forma reversa, os pais de agora têm criado os filhos para serem eles, os pais, protetores e cuidadores dos filhos. Estes novos filhos vêm se constituindo numa geração, intitulada de eternos adolescentes. Eles carecem de cuidados especiais. São mimados e mantidos pelas famílias. Que progresso tecnocientífico, de comunicação e de direitos humanos foram esses? Eis aqui a última e grande questão de nossa Era pós Internet ou Digital!