Iguais e Diferentes

  Foi então num espaço dedicado à saúde que Olive pôs-se a refletir e pensar sobre o que para ele representava Ana. Eram já 3 dias de ausência de contato, virtual ou locução telefônica. Foi com esse silêncio temporário que um e outro, isto é; Ana e Olive se sentiram no ensejo de dimensionar, de qualificar e quantificar os sentimentos que os uniam. Esta, a melhor aliança abstrata que as pessoas deveriam cingir não apenas os dedos de umas às outras, ou à pessoa alvo de seu amor. Ao amado, à amada.

Não há metal mais nobre do que o amor genuíno, puro e espontâneo, se comparado à prata ou o ouro. Nada mais ligam duas pessoas tão forte como os afetos emergidos do coração, na cumplicidade destes sentimentos. Sentimentos que as ligam em suas percepções, em seu querer, em seu gosto, em seus desejos, em suas lentes de ver a vida, a natureza, a harmonia das coisas em suas cores e esplendor.

E continuava Olive nas suas reflexões, de momento, exclusivamente em Ana, que já fazia parte de sua existência. Era como uma peça de arquitetura de sua realização e felicidade. A vida é esse conjunto de manifestações belas, benfazejas e estéticas. E assim o é porque ela, a vida, é filha do cosmo, do universo em toda sua organização, de congruências, de interdependência desde as pequenas coisas até os grandes seres.

É da junção, da união e aliança de átomos, de substâncias, de elementos químicos e físicos que o universo se faz infinito. Tão infinito em beleza e magnitude que mistério se tornou e mistério permanecerá. E assim pode-se concluir: o universo, a natureza perderiam o seu encanto, o seu esplendor se de todo, de pronto se revelassem à curiosidade e busca dos sentimentos e investigação de nós humanos.

Assim é Ana, assim é Olive, na vastidão dos sentidos do cosmo, da vida, na convivência das pessoas. Na compreensão e lucidez de que somos todos iguais e diferentes. Somos iguais porque somos compostos dos mesmos componentes do universo, de elementos químicos e energias de todas as formas de vida do planeta Terra. Somos diferentes porque sentimos diferentes, nos geramos diferentes em DNA, em genes, em sentimentos, em gostos e valores diversos.

É na junção e aliança de nossas igualdades e diferenças que nos tornamos outro par harmônico, outra composição e casal perfeito pelo encontro dessas aproximações e semelhanças. Um e outro nunca seremos como produções em série ao jeito e modelos de peças metais de máquinas s equipamentos.

E finalizando seus cuidados apolíneos, Olive continuava naquele espaço de cuidados do corpo, do coração e da mente. Olive, uma personagem desta singela digressão, ia como que fechando suas reflexões sobre a segunda personagem, a Ana.

Pensava e reflexionava Olive:

- Ana, ela não foi. Ela é. Ela foi e continua sendo. Ela foi, ela é, ela será uma pessoa enternecida (de terna e ternura). Ela se torna eterna, eternizada em minha vida (na existência de Olive).

O sobrenatural e sublime nas relações de Ana e Olive já eram concretas. E nesse sentido, as ocorrências abstratas entre um e outro já o previam Carl Jung. Chamem esse fenômeno de sincronicidade como o asseverou o grande psicólogo suíço. Chamem de telepatia ou tele comunicação sensorial e afetiva. O que se tem de certo e concreto é que entre Ana e Olive subsiste algum sentimento, alguma igualdade e diferença, que os tornam sensitivos, sensuais, afetivos, conectivos e definitivos

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