Não há dúvida de que um dos maiores desejos do homem é a busca insaciável por uma vida boa. Ao se falar de vida boa, poder-se-á abrir uma enorme chave multimodal, porque vida boa vai ter uma definição para cada pessoa. Ela envolve por exemplo itens como a capacidade econômica e financeira do indivíduo, a sua fama, a sua importância pública e privada, a sua capacidade intelectual, o seu múnus profissional e esta importância perante seus pares e sociedade geral, a sua credibilidade, entre outros valores.
Falemos do que pensa e deseja grande parte da sociedade. Se fizer um crivo bem feito talvez escapam poucas pessoas desses critérios a seguir nominados. Na certa e pelo visto nas cenas públicas e privadas de nossos tão
declamados tempos pós-modernos ou digitais, vida boa tem se concentrado muito no critério material. Ter em lugar de ser, conquistar bens terrenos em lugar de valores perenes.
Vivemos tempos nos quais dá-se muito e exalçados valores às aparências, permeadas, se possível com bens materiais, ainda que estes sejam supérfluos. “Ser é ser percebido”. Como substância desse mote ou slogan abram as redes sociais como Instagram e Tik Tok. São como praças e ambientes, onde, por marketing, fotos, vídeos e palavras de efeito, vive-se em campos elísios ou no jardim do Éden. No melhor dos mundos possíveis. Palavras do filósofo Leibiniz ou Dr Pangloss da obra Cândido (Otimismo), de Voltaire.
Voltaire utiliza Pangloss para ridicularizar a ideia de que o mundo em que vivemos é obrigatoriamente o melhor que Deus poderia ter criado, zombando da cegueira intelectual diante do sofrimento real. Vamos em frente porque muita gente é carente desses ideais.
A vida boa para muita gente de hoje, notadamente para as gerações mais jovens, se resume a posses e muitas cores e aparências. Que o digam os recursos de estética e da cosmiatria, as plásticas, os implantes, as próteses de quase toda a anatomia possível. De novo, abram o Instagram, e lá estão os murais das vaidades, do narcisismo, das futilidades, do vazio, dos valores que permeiam as vidas das pessoas. E tem mais: vida boa para muita gente é se chafurdar em comidas do marketing, na satisfação exacerbada, não de fome, mas do apete pantagruélico e da fauce hiante. Tem mais, no embriagamento, nem que seja de Coca-Cola, shops, cervejas, bebidas, drogas e ansiolíticos. E aí vem a populaça dos adipócitos, degradando a anatomia corporal e composição orgânica, mórbidos sujeitos!
E o jeitinho brasileiro de ser. Hein! Como está presente na vida de tanta gente bonita, jovem, guapas e marmanjas. Imagine aquela pessoa que para ter uma vida boa, pouco se lixa para o regramento ético de uma humana convivência. Aquela moça que se passando por apaixonada, casa-se já mirando os bens e espólios de algum colateral nesse conúbio. Aquela jovem mulher que soa de alguma forma tipo pandeiro e batel. Porque predomina o continente. Incontinenti, nem se tasca. Se os bens são vultosos e excedentes nada vejo de indecente.
Nas escolas e faculdades faltam essas disciplinas de ensinar o que seja uma vida boa, fundada em princípios éticos e morais, em cooperação, colaboração. Ainda que sejam, na cozinha e lavagem de louças, em arrumar o dormitório que dormiu, em varrição de casa mesmo estragando os esmaltes das unhas. Em ser grato a cada bem recebido e usufruído. Existe um esgarçamento ético e moral de ética e solidariedade. E muitas dessas beldades encontram com os beneficiadores e doadores de tudo e tratam bem, salamaleques, risos, tapinhas, abraços. Kkkk. Quantos são os espíritos tartufos. Santo Daime!
JJO