MANIPULAÇÃO E LAVAGEM CEREBRAL

Uma questão significativa que se pretende neste texto é a que versa sobre a disposição ou vocação dos humanos em acreditar em abstrações e fabulações. Trata-se aqui daquelas falas, discursos, propostas e afirmações que não trazem nenhuma prova ou substrato material, concreto, racional ou documental. É a tendência do ser humano, da aceitação mental e de entendimento de acreditar pela simples fé. Porque é esta a definição de fé; uma intuição da existência de alguma coisa, em Deus como exemplo. Não o vemos, mas intuímos do seu existir.

A crença, a fé das pessoas, em se falando de religiosidade, seitas, doutrinas e religiões estão muito relacionadas ao grau e qualidade cultural e intelectual da sociedade em que elas vivem e compartilham valores e princípios. Enfim, ao estágio de desenvolvimento social, científico e tecnológico dessa sociedade. Um comparativo simples e modelar seria tomar nações como Noruega, Islândia, Coreia do Sul, de um lado; no outro extremo países do continente africano. Temos então nações com alto grau de desenvolvimento (IDH) e escolaridade; do outro lado, pobreza social, cultural e econômica e crenças em muitas entidades míticas e místicas. Basta comparar no que acreditam as pessoas escandinavas e as pessoas da África.

Esse comparativo é bem simbólico e convincente para a questão crucial aqui posta, da disposição e sugestão das pessoas em acreditar em entes e fabulações pelo simples expediente da aceitação da existência, sem buscar os substratos e provas objetivas e material das proposições e afirmações dos autores.

Ao se referir às crenças, à fé e à convicção das pessoas em uma força, em uma energia cósmica suprema, a que intitulamos Deus, não devemos e não podemos misturar esses sentimentos com Ciência e os conhecimentos racionais. Deus e Religião são uma coisa, Ciência e razão outra que não podem misturar e confundir. Podem, sim, conviver pacificamente, sem radicalismo, sem fanatismo. Cada pessoa, cada sociedade exerce o inatacável direito e prerrogativa de ter o seu Deus, sua fé, ser agnóstica ou não acreditar em nada. O que importa é convivência pacífica, respeitosa e democrática.

A questão da disposição das pessoas em acreditar em tudo que escutam e assistem se faz e tem explicações científicas. Assim o deslindam as Neurociências, a Psicologia e a Psiquiatria. Torna-se muito mais fácil, menos laborioso e mais assimilável do que o exercício, o labor mental, cognitivo e intelectual. Ao contrário do que estudar, experimentar (experimento científico), raciocinar, pensar e criar mental e criticamente. O pensamento racional e o trabalho cognitivo dão fadiga, cansam, envolvem gasto de energia química, sinapses cerebrais. A simples crença, não! Se faz de forma passiva, sem contraponto, sem juízo crítico ou ter dúvidas. Aceita-se e está pacificado. É a mesma regra e propriedades do reflexo da acomodação ou zona de conforto.

A fragilidade e a facilidade que as pessoas têm em acreditar em tudo pela pura e simples crença é por demais demonstrado nas estratégias do marketing e propagandas. É o efeito da sugestão que esse expediente emprega. Em todos os gêneros do conhecimento, do mercado, do comércio, da política, das doutrinas. O melhor exemplo está nas religiões, nas doutrinas e na política. Nas religiões e na política existe a atividade da doutrinação, de instruir, de adestrar, de cativar as pessoas, de convencê-las a seguir aquela seita, aquela religião e dogmas, sob pena em não fazendo, ter a alma penada e sujeita ao inferno.

Na política o processo se faz com a mesma energia e eficácia. É o candidato com o poder carismático, incisivo, capacitado em mudar a sorte, a vida e os benefícios do eleitor. São os candidatos bons de oratória, com lições de moral, social e demagógica. Com auras e ares de messias.

Nos expedientes cotidianos ordinários da vida, vivem, subsistem e fazem muito sucesso os curandeiros, os benzedores, os espirituais, os gurus e charlatães de toda ordem e espécie. Todos levam a boa e lucrativa vida enganando, fraudando e explorando a credulidade, a incultura, a ignorância e crença das pessoas. Ingênuas e manipuláveis. Todos esses espertalhões e embusteiros nos rodeiam com suas artimanhas e falsas profecias. Acautem-se deles!

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