Se há uma constatação deprimente do ser humano, em se tratando de comportamento, é a de as pessoas não ter critérios e discernimento no uso, no emprego e manuseio das conquistas científicas e tecnológicas. Tomem-se dois exemplos bem consistentes nesse contexto: a invenção do avião e os recursos da radioatividade (energia nuclear). Muitas e milhares são as suas benfazejas utilidades. Mas, quantos não são os danos, destruição, doenças, guerras e mortes com o emprego desses avanços? Os seus inventores e idealizadores, a princípio, não os conceberam para o mal e mortes, e sim para o bem da humanidade e das pessoas. O torto e errado estão nos usuários e nas mentes doentias de quem empregam esses recursos para o mal.
Então fica bem claro com estes dois inventos o quanto é doentia, bizarra e esquizofrênica a mente e inteligência de muitos humanos em aplicar a Ciência e as tecnologias para destruir, dominar e eliminar os outros, tidos e considerados como rivais e inimigos. Um caso emblemático e paradigmático, robusto nessa matéria é a guerra da Rússia contra a Ucrânia. Será que a ambição de poder, de imperialismo e hegemonia regional justifica os horrores, arrasamento de uma nação e mortes? Eis a questão.
Para tanta destruição e quase genocídio vem sendo utilizados aviões e ameaças do emprego de energia nuclear e bombas atômicas. Terrorismo de Estado na sua forma mais cruel, bruta e insensata.
Mas, por que da citação das tecnologias do avião e da energia nuclear? Simples e simbólico para dar entrada no exemplo de outras tecnologias e invenções. Como a Internet e as Teletelas das mídias digitais. E ao mesmo tempo o quanto de efeitos colaterais negativos elas vêm produzindo nas pessoas, notadamente nas crianças e jovens, faixas etárias mais vulneráveis. Temos então o que representam essas invenções e os instrumentos de mídia para o chamado estado online, para a permanente conexão com o mundo e submundo virtuais (que de virtudes e bons valores têm pouco) e os malefícios na formação da pessoa.
De pronto, vale sublinhar e registrar que a concepção e criação da Internet e da telefonia móvel foram no estrito objetivo de beneficiar a humanidade, as pessoas nas suas tarefas diárias, no trabalho, no estudo, na elaboração intelectual, na cultura etc. Não foram outras as intenções de seus cientistas, engenheiros e tecnólogos. E nesse propósito nossa eterna admiração e louvor aos seus autores. O torto é o usuário.
E vieram então os danos, os malefícios, as doenças de comportamento, os déficits cognitivos. Em uma palavra, o mal pelo mau uso das chamadas tecnologias da informação, das telinhas dos celulares, dos tablets, dos notebooks, dos games etc.
Mas, poderíamos indagar, questionar e reclamar: por quê? De invenções tão úteis ter resultados tão maléficos aos seus clientes e usuários, principalmente às crianças, aos adolescentes e jovens com o cérebro e conexões neuronais ainda em formação? Os motivos são claros e de muita razoabilidade entre os estudiosos da matéria. A sociedade ou tribo global humana de repente se viu acometida pela síndrome do deslumbramento com esses recursos digitais e de Internet.
Diante de inventos inopinados e tão inauditos que foram a Internet e Tecnologias da Informação (smartphone e tablets por exemplo), as pessoas se tornaram embriagadas e embevecidas, extasiadas com os prodígios dessas formas e fluxos de informação, da facilidade de comunicação, de contatos umas com as outras. Embriaguez permanente e sem idade de adesão. Até os idosos se embriagam.
De forma objetiva e sumária, as principais vítimas são as crianças e jovens em formação neurológica, psíquica e intelectual. Existem assim: danos cognitivos, do QI, da capacidade de raciocínio lógico e abstrato, retraimento social, cada um na sua alcova, no seu quarto e quadrado, pouco contato físico social, perda da habilidade de recreação física, pouca interação social pessoal, ansiedade, depressão, síndrome da adicção tecnológica (=dependência química), tendência ao suicídio, perda da habilidade da escrita, embotamento intelectual, danos físicos e orgânicos pelo sedentarismo. Está em curso a chamada “Fábrica de Cretinos Digitais” (título do livro, do neurocientista francês Michel Desmurget)