E continua muito árdua, complexa e desafiadora a tarefa daqueles profissionais, pesquisadores e terapeutas em deslindar as patologias sociais e comportamentais dos seres humanos. Uma das indagações dessa alta prevalência de tantos distúrbios e desavenças é esta: o que dessa alta procura das pessoas e famílias afetadas, notadamente neste início do século xxi. Alguma coisa a ver com tantas e tão fácil comunicação? Tempos da chamada hipermodernidade, idade ou era das mídias?
Sim e não podem ser as respostas. Sim, porque na era da comunicação instantânea e grátis as pessoas se falam mais, se expõem mais, as confissões e relatos podem ser feitos de maneira apócrifa e anônima. Há muito a ver também com as conquistas sociais, direitos humanos, liberdade de expressão e opinião.
Pela resposta negativa (não), nada a ver com o surgimento de Internet e Redes sociais. Pode-se cravar que as afecções ou patologias sociais e das relações humanas sempre existiram. Elas trazem a idade da humanidade. É bem registrado e já demonstrado que a dependência digital constitui em um novo espectro de doenças sociais que vêm merecendo estudos, dedicação de especialista e alertas desses profissionais às famílias e educadores sobre os nocivos efeitos do uso excessivo diário da Internet e mídias sociais, ou seja, da chamada excessiva jornada de conexão, o estado online contínuo.
Em se tratando das chamadas patologias sociais e do comportamento humano. O padrão do que seja normal e patológico, em se referindo às interações humanas se torna até difícil de deslindar; uma vez que a linha divisória entre sanidade e insanidade social se faz tênue e nebulosa em muitos casos e situações sociais. Todavia, conforme as características das relações, elas beiram à toxicidade e intolerância para o convívio das pessoas.
Para melhor didática e compreensão, os psicólogos e sociólogos dividem as 3 principais anomalias ou afecções das relações humanas e convívio social. 1ª= a refenização do outro; 2ª= dependência emocional; 3ª =a subserviência ou dominação do outro. Embora, vem recebendo críticas, porque não há bases científicas, os grupos terapêuticos da Constelação Familiar debatem e procuram fazer a análise e trazer auxílio terapêutico às pessoas assim diagnosticadas. São então as pessoas que se tornam reféns, dependentes emocionais e subservientes, servis e obedientes a outra pessoa do convívio, não importa se esta relação se faz de forma predominantemente presencial ou à distância. Essa relação pode ser de amizade, laços genéticos, conjugais e mesmo societário em qualquer interesse mercantil.
No processo de tornar o outro refém, o mecanismo sentimental se faz à semelhança da síndrome de Estocolmo, processo delituoso de lavagem cerebral em que a vítima passa a ter uma ligação ideológica e afetiva com o autor do delito. Nas relações sociais, afetivas e parentais o mecanismo se faz nas mesmas vias emotivas e neuronais. O embusteiro e dissimulador, vai com sua argúcia, de forma paulatina, logrando êxito; há nos seus intentos toda uma expertise de sensibilizar a vítima em acatar os seus desejos e objetivos. E a pessoa enganada, aos poucos se vê completamente dominada, envolvida, de forma pacífica e passiva.
A dependência emocional se dá por uma imaturidade afetiva, moral e psíquica da pessoa dependente. O sexo feminino é o mais susceptível no processo. Essa pessoa frágil, psíquica e afetivamente necessita de uma permanente (celular, rede social) conexão com alguém que lhe dê suporte, e assim se torna alvo, vítima dessa dependência.
No processo da subserviência, entra em ação o mecanismo da dominação do outro. Trata-se de quase uma reação instintiva, irracional do animal humano. O desejo de tornar alguém submisso, subalterno, súdito. Se todos os humanos não o fazem, não adotam esse instinto, esse desejo interno é por um sentimento de escrúpulo, de formação moral e ética. Mas, que é uma marca dos humanos não resta dúvidas, a de subjugar e escravizar o outro. Assim o demonstram vários ensaios e protocolos de pesquisas sociais, antropológicas e do comportamento humano.