João Joaquim
É bastante crível, empírico e verossímil que todo indivíduo humano nasce com um pendor, uma inclinação a um comportamento selvagem, incivilizado e grosseiro. O que vai tornar o sujeito educado, civilizado, sociável e humanizado (educado e gentil) será o processo educacional a que ele será submetido. Educar um humano e domar um animal guardam muita semelhança. O processo tem eficácia e garantia quando feito, no tempo certo, isto é: a partir do nascimento
.E aqui entram dois universos no seu aprimoramento, no seu preparo, na sua instrução, na sua formação integral. Duas escolas, duas instruções, duas universidades. Essas duas instituições de formação serão decisivas na construção do indivíduo como pessoa civilizada em todas as esferas das relações humanas. São duas instituições na formação da pessoa, a Universidade social e a Universidade Escolar.
Essas etapas ou processos de construção da pessoa devem agir e ser implementadas de maneira harmônica, no tempo certo e feitas com firmeza e eficácia, como explicado a seguir.
Na cronologia temos: formação familiar como a primeira grande universidade do indivíduo; a sua instrução ética e social feita pela pelos pais ou núcleo familiar; e por fim até uma universidade para a formação técnica e cientifica da pessoa já adulta e na maturidade da vida. Vamos ao deslindamento ou descrição dessas etapas no que chamamos de construção da pessoa.
De começo não se pode perder de consideração que o ser humano, qualquer indivíduo é um ser inacabado; conceito de perfectibilidade. O homem (gênero) é um animal em perpétuo potencial de melhora, de aprimoramento, de aprender mais do que sabe. Trata-se de uma realidade sociológica e cientifica.
Devemos imaginar cada pessoa como uma escultura em constante processo de acabamento. Nesse conceito cada pessoa pode e deve ser o próprio gênio artístico de si mesmo. Além de, até como pai ou professor, ser o escultor, o construtor de uma criança, um jovem e mesmo um sujeito já maduro e que tem a susceptibilidade da perfeição, da melhora. Lembrar sempre que todos nascemos com propensão a permanecer broncos, vilões, grosseiros. A família, o meio social, a Educação plena construirão o indivíduo. Na ausência dessas etapas de ensino e instrução, destruição à vista.
Porque há também esse risco, esse encontro, essa estatística. Muitas pessoas adquirem uma certa imunidade, resistência e recalcitrância à melhora, à evolução e crescimento como gente, como pessoa perfectível. À semelhança de um asno já adulto e velho. Ninguém vai mudar um animal, um burro chucro, selvagem que não passou pelo processo da doma, do adestramento, no processo de amainar os instintos (amansamento) quando novo.
É do conhecimento dessa natureza dos instintos comum entre homem e animal que surge a importância de se cumprir as etapas na formação e construção da pessoa. Dentro desse conhecimento e dessa análise pode-se extrair algumas importantes conclusões no que respeita à formação do indivíduo. Basta ter em conta que a pessoa ter uma formação superior e universitária não significa que essa pessoa traz a garantia a um conjunto de atributos éticos e morais, civilizatórios e sociais. Muitos são os indivíduos, com títulos disso e daquilo, doutores em várias formações técnicas e profissionais (advogados, médicos, juízes). Mas, que em suas relações humanas de toda ordem são grosseiros, mal-educados, antissociais, desonestos e corruptos. Faltou a Família para ele.
Conclui-se, portanto, que universidade de ensino superior não é garantia e aval de humanizar e civilizar o indivíduo. Ao se deparar com algum doutor, algum mestre mal-educado, há duas possibilidades: uma, a inclinação genética para sua deformidade ética e social, porque os genes são infalíveis para o bem e para o mal. A segunda possibilidade, esse sujeito não teve a formação escolar e familiar eficaz no tempo certo. Ele passou do tempo de aprender. É o princípio de querer educar um asno chucro e velho. Não vai ter eficácia.