Pais escravos dos filhos

 

PAIS SERVIÇAIS E SUBMISSOS AOS FILHOS

 

JOÃO JOAQUIM  

 A pandemia da covid19 e os compulsórios confinamentos das pessoas, das famílias e dos filhos menores trouxeram e exaltaram ainda mais outro cenário da chamada hipermodernidade. O cenário da internet, dos recursos e plataformas virtuais e as tão presentes redes sociais. A notícia boa e promissora é que a medicina e as vacinas estão permitindo a que todos voltemos à realidade, à vida de relações físicas, pessoais, como são as realidades de aulas presenciais, ao trabalho em grupo, à chamada jornada árdua, dura, fatigante e produtiva a que se entregam milhões de brasileiros nos seus compromissos diários; seja, como autônomos ou empregados públicos e privados.

Aqui se fala na convivência tête-à-tête, frente-a-frente, sem filtros, bem diferente das telas digitais. O objeto central deste artigo são as crianças, por quem eu sempre tive um grande apreço e gosto de lidar, de ouvir, de ensinar e de aprender. A criança ensina-nos por exemplo a ser cientistas, filósofos e investigadores do saber. E elas o fazem através de 3 palavrinhas: o que, como e onde? O ser humano se molda na infância. O adulto vai ser a reprodução do que fizeram (pais, professores, cuidadores, meio social) dele na infância. Tome uma criança sob sua guarda e tutela e faça a ela (em termos de educação) o que se quer dela. A criança será o resultado do que se ofereceu a ela, em se tratando de formação global, ética, relações humanas, civilidade, escola etc.  

A pandemia da covid 19 e a reclusão das crianças fora do convívio escolar e social trouxe a elas efeitos muito negativos. As chamadas telas virtuais serviram e continuam servindo a grandes danos cognitivos e de aprendizagem para as crianças de baixa idade, de 1 a 6 anos, a rigor não deveria ter contato com objetos digitais. Tais recursos virtuais deveriam ser proibidos por lei a esses pequenos, a exemplo da lei da palmada. Que é dos legisladores pedagógicos? Cadê as comissões parlamentares de Educação? Existe a da Justiça -CCJ-, a do orçamento, a da Imunidade parlamentar.

            Os pais mais jovens vêm perdendo o seguro bonde da história da boa e construtiva pedagogia. As telas das mídias em geral (smartphones, tablets) se prestam a informação e não a formação. São conteúdos sem pensamento abstrato, com graves danos de pronto e mediatos na linguagem, na formação social, cognitiva, profissional, ética e de civilidade do adulto. A referida geração de pais modernos tem embarcado distraidamente nesse conforto dos recursos virtuais e digitais aos filhos. Pais e professores, acordem!  

            Em termos de aprendizagem nada substitui o ensino presencial, de convivência, do contato físico, do recreio, das atividades lúdicas entre as crianças. Muitas são as referências de pensadores e filósofos da educação. Um nome: Jan Komensky – Comenius (1592-1670);foi um cientista e educador checo. “A criança precisa de outra para se aprender”. Imagine o efeito desse princípio. As crianças aprendem umas com as outras, elas são culturalmente sociáveis e compartilham aprendizado.

Caiu por terra a ideia de que as telas seriam a revolução no ensino. Nada substitui a escola presencial, em contato permanente com professores e colegas, voltar para a realidade. Nunca, como pais e cuidadores, podemos perder de vista e consideração que a criança, os filhos e educandos precisam receber as lições da frustração, das “dores e sofrimentos” da existência.  Filhos de qualquer idade não podem viver só de mimos e proteção, nos quartos, nas salas de estar, nas alcovas, em bolhas e conchas permanentes. Existem hoje em dia algumas correntes de educadores, e de pais adeptos às mesmas tendências, da criação de filhos sem limites no convívio domiciliar. A família, o ambiente doméstico é a primeira referência escolar e de ensino para os filhos. Vem surgindo uma geração de filhos de muitos direitos e regalias nas mais diversas esferas da vida. Um crasso engano de pais e cuidadores que repercutirá na formação desse indivíduo quando adulto e no gozo da cidadania da maioridade. Como serão os novos filhos do novo mundo repleto de recursos virtuais e digitais à disposição desses filhos? Uma reflexão a se fazer por pais e educadores.

            Ter filhos e educá-los corretamente dá trabalho, é muito árduo. Exige firmeza nas relações quando seriedade e austeridade forem necessárias. Um bom pai precisa ser leal e não legal. O tão popular não significa não e ponto final. Um pai ou mãe não pode sentir culpa porque contrariou o filho em algum desejo, em aquisição de algo que para ele é fora de época e fora de benefício. Educar exige afeto, amor, responsabilidade; mas também disciplina e o exercício do chamado pátrio-poder, hierarquia e respeito. Não é sem razão que muitos casais optam por não ter filhos. Há outros que escolhem ter pets. Animais oferecem vantagem porque não precisam de escolas caras. Somente afeto, proteção, ração e cuidados veterinários.  De fato, dá menos trabalho e menos investimento. Não tira tanto o sono!

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