Já faz tempo, mais de 4 quinquênios que as novas gerações vêm se tornando pessoas de comportamento cabisbaixo. Não se trata de estilo de expressão. Trata-se da verdade mais real e bem a demonstrado. Em idas décadas, se víssemos essas mesmas levas de pessoas em espaços públicos ou privados seria normal a pergunta por quê? O porquê dessas pessoas, a maioria jovens, estar em atitudes e posturas cabisbaixas.
Em tempos remotos, se assistíssemos dezenas de moços e moças em atitude de cócoras e/ou cabisbaixa imaginaríamos de imediato: estão vexados, abatidos, envergonhados ou humilhados? Qual seria a razão?
Feitos exames de imagem, que seja uma radiografia simples ou uma tomografia de pescoço (coluna cervical), dessas pessoas, nessa postura de flexão submissa e resignada, encontraríamos o mesmo diagnóstico: cifose acentuada da coluna cervical. É o mesmo diagnóstico do corcunda de Notre Dame. Para quem leu, ou viu o filme, há de lembrar da obra de Victor Hugo: o corcunda de Notre Dame, o Quasímodo, tinha de nascimento uma grave cifose (uma deformação nas costas, corcunda). Depois a obra hugueana virou filme feito pela Disney. Esse personagem de feições feias metia medo e certo terror nas pessoas. O que se sabe é que esse personagem foi inspirado na biografia de uma pessoa real que portava essa cifose de causa congênita.
Os corcundas ou cifóticos das novas gerações assim o são não de causa congênita. Trata-se de uma deformidade adquirida. Um efeito colateral pelo mau uso ou abuso das tecnologias da informação. A causa é a postura prolongada, com a flexão do pescoço, na conexão com Internet. O chamado estado online permanente. São os usuários compulsivos e abusivos dos smartphones e tablets, em conexão com a internet e redes sociais.
Refere tal diagnóstico ortopédico em mais uma questão de saúde pública. Cada vez mais vêm surgindo queixas entre adolescentes e jovens. São dores e rigidez de coluna cervical, dorsalgia e dificuldade na posição ereta de cabeça e pescoço. Os sintomas comuns são cefaleia occipital (nuca), dores nas costas, dores e rigidez nos movimentos normais de cabeça e pescoço. Trata-se então de um novo e encontradiço diagnóstico nos consultórios e clínicas de ortopedia e fisiatria. Cifose Digital. Em breve será catalogada na CID- classificação internacional das doenças. A famosa CID, aposta nos atestados e laudos médicos para afastamento do trabalho.
No manual diagnóstico e estatístico da associação de psiquiatria americana já estão catalogados os distúrbios ligados a Webdependência( termo técnico). São os adeptos e abusivos usuários de games, de redes sociais e constante estado on-line. Basta pesquisar o que seja os distúrbios psiquiátricos denominados nomofobia e fomofobia. Estão lá no DSM-VI. Como referido, um compêndio de classificação das doenças mentais. Muito conhecido e difundido na comunidade médica internacional.
Enfim, para concluir, deixamos todos os adeptos, usuários e aficionados ou adictos de muito celular, de smartphones, de iPads, tablets e jogos eletrônicos. As doenças aqui descritas; a saber, a cifose digital ou nomofobia decorrem do tempo de exposição a esses recursos virtuais, ao tempo que as pessoas ficam nessa chamada postura cifótica, à semelhança do indigitado corcunda do filme de Notre Dame, o Quasímodo.
Quando demais, até água, amor e vitaminas fazem mal. Portanto, ponderação e moderação, até na diversão e conexão com a Internet. E vale o registro de que todas as tecnologias são neutras, inocentes, todas foram idealizadas para bem servir a humanidade, às pessoas. Os danos de seu mau emprego, do emprego fútil e abusivo, decorrem da atitude e comportamento dos clientes de qualquer invenção, qualquer recurso material ou virtual.