Teoria Involucionista

NOSSO PROCESSO DE FRANCA INVOLUÇÃO E DERROCADA PESSOAL
João Joaquim  
Vivemos uma época de plena industrialização. Apesar de tanta mecanização, de tanta tecnologia, de tanta automação, o trabalho do homem continua significativo em todas as etapas de produção industrial. O Brasil conta hoje com cerca de 13 milhões de desempregados, segundo estatística do IBGE. Isto sem contar os indivíduos subempregados, os que trabalham de modo informal (sem carteira assinada) e os milhões que ganham muito pouco. Viver com um salário mínimo, equivalente a U$ 400  seria não viver mas subsistir . Uma triste realidade, mas que bem se aplica ao contexto do Brasil. “Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”- Oscar Wilde.
A abertura acima foi apenas um jeito de dar vazão ao tema central: relação trabalho e lazer. É inegável que o entretenimento, o lazer, a diversão, a festa, os festivos, a folga e o ócio fazem parte da existência humana. O trabalho de forma exaustiva, contínuo, traz um enorme desagaste à pessoa, ao organismo, à saúde e ao bem estar do indivíduo. Diversos são os pesquisadores e profissionais da saúde que são uníssonos  em recomendar o entretenimento e lazer como expedientes promotores da saúde física e psíquica.
Sociólogos, economistas e filósofos têm as mesmas recomendações. Platão, na antiga Grécia, por exemplo preconizava a música e a ginástica no sentido de fortalecer até a moral e o caráter da pessoa. Bertrand Russel (1872-1970 -97 anos) escreveu um magnífico ensaio intitulado o elogio do ócio;  segundo sua tese o trabalho não deveria ser a prioridade na vida da pessoa. O ideal seria tempo livre, ocioso, com atividades agradáveis. E não no sentido de vadiagem ou só diversão, mas uma oportunidade de ganho de conhecimento e capacidade de reflexão.
Domenico de Mais(nascido na Itália) é outro cientista e sociólogo que editou um impactante artigo denominado o ócio criativo. Segundo este renomado cientista italiano, estudioso da relação trabalho e descanso, é importante que as pessoas trabalhem menos e tenham momentos de descanso, de pausa nos esforços e busquem entretenimento e um ócio de reflexão, de aumento de conhecimento e capacitação intelectual e profissional.
A relação trabalho e entretenimento na sociedade atual. Hoje, século XXI, contemplamos um progresso nunca imaginado em nossa história. Com tantos avanços científicos, com o surgimento da internet e suas ubíquas redes sociais, surgiram nesse caudal de transformações os tão almejados avanços sociais, o aprimoramento dos direitos humanos e naturalmente uma nova ordem de relações sociais e novas diretrizes no ambiente de trabalho. Todas essas evoluções refletiram também no comportamento das pessoas no concernente às atividades de lazer e entretenimento.
Uma das marcas da sociedade atual é o apelo ao consumo. O poder da propaganda é enorme e de alcance rápido e instantâneo, graças aos modernos recursos de comunicação (internet e redes sociais). As pessoas em geral se comportam como reses de um rebanho. A maioria é levada e aliciada polos engodos da propaganda. Somos animais de rebanho, vamos com os outros.
A semântica bem explica o que a sociedade, o que as pessoas veem como lazer e entretenimento na era virtual, no império do mundo da digitalização e do consumo. Toda forma de lazer, de diversão e de ócio se transformaram nos prazeres dos instintos, do corpo e da boca.
Em toda folga, em  todos os momentos de ócio que sobram, as pessoas se entregam aos regalos e orgias da boca, do bucho e do sexo. Tudo regado a libações etílicas, até o entorpecimento, embriaguez, coma alcoólico, e combinado com a insensatez ao volante, muitos acidentes de trânsito e mortes. E como rescaldo a tão molestante ressaca, com cefaleia, mal estar, melancolia, náuseas e vômitos. Por no mínimo 2 dias. Que prazer é este ?
Essas são as opções de lazer e entretenimento do homem moderno. Apenas uma demonstração de que o homem deixa a sugestão de que  é um projeto que não deu certo. Estamos em fase de involução. Nesse processo estamos retrocedendo aos tempos da derrocada do império romano. Triste, muito triste!

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