O estar no mundo ou melhor, o estar bem neste nosso mundo não é para todos. Porque o viver bem consigo mesmo já está sujeito a riscos, a nocividades, a uma ansiedade ou tristeza endógena, aquela que não mostra causas externas. São aqueles classificados estados disfuncionais da constituição psíquica e orgânica da pessoa. Os avanços da Medicina nos seus variados braços de conhecimento podem não ter as soluções plenas e curativas para tudo. Estas são questões já pacificadas e de consenso na comunidade científica. Todavia, as Ciências Médicas como a neurofisiologia e a psicologia sabem a origem de muitas doenças psíquicas e neurológicas. Se não há cura, restam os paliativos
Como bons exemplos a ilustrar são os transtornos de ansiedade, a depressão e a doença de Parkinson. A Medicina de hoje conhece seus mecanismo. Estão na gênese os chamados neurormônios (serotonina, dopamina) responsáveis por esses circuitos sinápticos que nos trazem alegria, prazer, felicidade. Nesse contexto já existem os antidepressivos intitulados serotoninérgicos e dopaminérgicos com os efeitos de aumentar as taxas dessas substâncias.Entretanto, uma ressalva deve ser feita. Não se pode querer que todos usem esses fármacos porque eles têm indicações e contraindicações. E ficar ansioso e triste faz parte da vida, um pouco e de vez em quando é normal para qualquer pessoa, existe o mal-estar da civilização. Rir o tempo todo é próprio do chamado bobo alegre, pode ser alguém com os circuitos desregulados.
O que se pretende neste artigo é deixar um alerta e recomendações no que respeita ao tratamento das pessoas que padecem de certas alterações da saúde psíquica, emocional, afetiva ou mesmo social e conjugal. Muitas são as possibilidades desses mal-estares, desses desvios da normalidade, daquilo que se pode considerar não saudável, não fisiológico; enfim as disfunções do estar bem neste mundo, no meio social onde a pessoa se acha inserida, participativa, na família, nas relações conjugais e de trabalho.
Pode parecer banal e sem maior importância, mas não é! O estar bem no mundo traz ligações com a própria pessoa, e de igual intensidade com variáveis externas ao indivíduo que vão influenciar em sua vida, em sua integridade e sanidade emocional e orgânica. Aqui se lembra das chamadas doenças psicossomáticas, aquelas que têm sua gênese e causas nos desvios emocionais, nos distúrbios psíquicos (ansiedade, depressão). De uma ansiedade persistente, um estresse agudo ou crônico pode-se ter uma úlcera gástrica, um infarto, uma arritmia cardíaca.
Vamos assim enumerar: das relações sociais que a pessoa estabelece na vida. Existem então as relações sociais benéficas e construtivas, solidárias. Estas são aditivos positivos para o bem-estar de quem recebe esses contatos; ponto esse de apoio e de sustentação para o bem-estar da pessoa. Já do lado oposto, existem aquelas relações sociais nocivas, negativas e tóxicas e que representam causas de muitos dissabores, angústia e desgaste psíquico para quem se vê obrigado a esses contatos, a essas interações. E por que dessa obrigação na manutenção dessas relações sociais? Porque muitas dessas pessoas são os parentes (parentas) consanguíneos, membros familiares de 1º grau (irmãos, irmãs por exemplo). Como cortar essas relações? Há pessoas que não consegue se livrar desses inoportunos e pernósticos contatos, as vítimas vão se tornando reféns permanentes.
A segunda questão de enorme impacto na vida e saúde psíquica das pessoas que padecem de qualquer mal-estar emocional, social e de relações humanas está nas chamadas terapias sem um fundamento técnico e científico. Referidas terapias são oferecidas por quem não detém nenhuma formação profissional em saúde mental, familiar ou psíquica. E aqui grande ênfase ou destaque se faz para as chamadas terapias propostas por grupos religiosos, espirituais e doutrinários. E com mais um realce de peso que recebe duras e fundadas críticas. As estratégias e técnicas terapêuticas empregadas. Basta ter em conta os cânticos, as músicas e a literatura empregadas e oferecidas nessas sessões de ajuda. Muitas trazem uma sensações e mensagens mais deprimentes e negativistas, agindo como um feedback ou turnover retroalimentador da tristeza, da ansiedade, das fobias, da fragilidade psíquica e moral da pessoa doente.
Todas essas práticas, indistintamente, empregadas por todos esses falsos terapeutas (doutrinas e religiões), parecem aguçar, alimentar e recrudescer ainda mais os sintomas de tristeza, de fragilidade e angústia das pessoas já atingidas e enfraquecidas pelas doenças do emocional e da mente. O que um deprimido e entristecido mais precisa são palavras de vida, positivas, estímulos construtivos que fortaleçam sua autoestima, seu bem-estar e energia vital. E não ele se tornar mais vulnerável, mais vítima e convencido de sua fraqueza moral e emocional.